A importância do uso correto de lubrificantes oculares

Lubrificantes oculares, ou “Lágrimas Artificiais” como são mais conhecidos, são medicamentos amplamente utilizados em Oftalmologia: do tratamento da Síndrome do Olho Seco, ao Pós-operatório de Cirurgia Refrativa. No entanto, esse uso nem sempre ocorre da maneira correta.

O uso incorreto, começa muitas vezes por alguma “confusão” com outras categorias de medicamentos, tais como:

  • Vasoconstrictores: esses colírios têm por finalidade amenizar a “vermelhidão” presente em irritações da superfície ocular. Os efeitos, quando presentes, costumam ter curta duração e demandar múltiplas aplicações.
  • Corticóides: o uso inadvertido desses colírios pode ser ainda mais perigoso, pois eventualmente resultam em catarata, glaucoma ou, mesmo, agravamento de algumas infecções, particularmente, a Ceratite Epitelial Herpética.

Mesmo quando o medicamento for, de fato, um lubrificante, uma série de fatores deve ser levada em consideração por ocasião da escolha:

  • Composição: Determina a apresentação (sob a forma de gel, ou colírio); a quantidade de aplicações diárias; a possibilidade de ser utilizado sobre lentes de contato; o risco potencial de reações alérgicas, bem como o tempo de descarte após a abertura do frasco (sim, a data de validade expressa na embalagem faz referência ao produto lacrado, sendo poucos os que podem ser utilizados mais de 2 meses após o início do uso).
  • Preço: Há lubrificantes que custam por volta de R$ 15,00, enquanto outros superam os R$ 100,00.

Apesar de não demandarem prescrição médica para serem adquiridos, o Oftalmologista pode orientar a seleção do lubrificante mais apropriado às necessidades de cada paciente.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

De acordo com levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o final de 2021, pelo menos 35% da população mundial terá miopia. A estimativa dos especialistas na área da saúde, que já tratam a miopia como epidemia, é que avance e atinja mais da metade (52%) da população mundial em 2050.

O confinamento estrito para tentar evitar a propagação do novo coronavírus fez com que, por vários meses de 2020, crianças ao redor do mundo parassem de ir à escola e ao parque para brincar com os amigos como faziam antes da pandemia. Uma das consequências silenciosas desse isolamento obrigatório foi o aumento da miopia em menores. Pesquisas recentes de diferentes universidades da China, Canadá e América Latina evidenciam que o principal motivo do crescimento desta condição no último ano foi a falta de luz solar.

Os raios solares liberam dopamina na retina, uma substância que impede o globo ocular de ficar mais comprido e ajuda a prevenir o aumento da miopia.

Se as crianças não saem de casa e não recebem luz solar, seu corpo não gera esse neurotransmissor, e a doença é desencadeada.A luz artificial não substitui os raios do sol na geração da dopamina.

Esses e outros detalhes sobre a doença serão discutidos no dia 14 de julho de 2021, a partir de 19:30 hrs, em nosso evento “Novas tendências e estudos no controle da Miopia”. Participe desta troca de ideias conosco. A SMO está sempre presente no dia-a-dia do oftalmologista. O link do evento será disponibilizado em breve. Esperamos vocês!

Texto retirado do site Jornal Contábil

Você sabia que desde março de 2021, a visão monocular é classificada como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais? Essa determinação está prevista na Lei n. 14.126/2021.

Essa é uma ótima notícia para quem é portador de perda visual em um dos olhos.

Por muitos anos o INSS não considerou a visão monocular como um tipo de deficiência. Já o Judiciário tinha opinião contrária.

Agora, com essa nova lei, o entendimento é uniforme entre ambos e a decisão vem para garantir os direitos previdenciários para quem possui visão em apenas um olho.

Neste conteúdo, vamos explicar o que é a visão monocular e os direitos previdenciários que essa deficiência pode gerar ao segurado.

O que é Visão Monocular?

A visão monocular é considerada uma cegueira ou uma grave dificuldade de ver com um dos olhos. Seu CID é H54.4.

A pessoa com essa deficiência tem seu campo de visão reduzido e, inclusive, tem dificuldades em perceber questões de profundidade.

Essa situação pode trazer algumas complicações em atividades do dia a dia, na prática de esportes, dirigir, trabalhar, etc.

Como podemos perceber, essa condição pode comprometer a vida pessoal e profissional do indivíduo.

Por isso, essa nova lei vem para garantir o reconhecimento dessa deficiência e garantir os direitos ao cidadão acometido por ela.

Benefícios previdenciários para quem possui perda visual em um dos olhos

Com a lei 14.126/2021, a cegueira de apenas um olho passou a ser considerada uma deficiência.

Em virtude dessa decisão, o segurado passa a ter direito a alguns benefícios que antes, não era possível junto ao INSS.

Com a uniformização da lei, o segurado que possui a visão de apenas um olho poderá solicitar aposentadoria da pessoa com deficiência e, ainda, o Benefício Assistencial, conhecido como LOAs.

Outra possibilidade também, é a isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão, ou reforma militar.

Vamos entender como cada um deles funciona.

Aposentadoria para quem tem visão monocular

Como já vimos em muitos conteúdos aqui em nosso blog, existem no INSS diversos tipos de aposentadoria.

Em virtude davisão monocular ser considerada como uma deficiência, logo, o primeiro benefício que vem em mente é a Aposentadoria da Pessoa com Deficiência.

Esse benefício é devido ao segurado que possui uma deficiência física, mental, intelectual ou sensorial. Essa modalidade pode ser dividida em dois tipos: por idade e por tempo de contribuição.

Aposentadoria PCD por idade

Como o nome já diz, para ter direito a esse benefício o segurado precisará atingir uma idade mínima para se aposentar. Além, claro de outros requisitos.

No caso da mulher, é preciso atingir 55 anos de idade e, no mínimo, 15 anos de contribuição. Nesses anos de contribuição, o trabalhador precisará comprovar a existência da deficiência nesse período.

Já para o homem, a idade mínima é de 60 anos de idade. Serão necessários também 15 anos de contribuição e comprovar a deficiência durante esse período.

Aposentadoria PCD por tempo de contribuição

Nesta modalidade de aposentadoria por tempo de contribuição, não será exigida uma idade mínima. Porém, o período mínimo exigido de trabalho varia conforme o grau da deficiência.

Esse grau pode ser leve, médio e grave.

LEVE: 33 anos de contribuição para os homens e 28 anos de contribuição para as mulheres;

MODERADA: 29 anos de contribuição para os homens e 24 anos de contribuição para as mulheres;

GRAVE: 25 anos de contribuição para os homens e 20 anos de contribuição para as mulheres;

E como saber qual é o grau da deficiência? O segurado deverá realizar perícia médica junto ao INSS para comprovar o grau da deficiência.

Quem tem visão monocular tem direito ao Loas

Outro benefício que a pessoa com visão monocular pode ter é o Benefício da Prestação Continuada da Pessoa com Deficiência.

Popularmente conhecido como LOAS, esse benefício garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência.

Os requisitos exigidos são:

  • Possuir deficiência, de qualquer natureza, que impeça sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas OU estar possuir doença que gere incapacidade para o trabalho;
  • A renda familiar não pode ultrapassar 1/4 do salário mínimo por pessoa (o Judiciário acaba considerando, muitas vezes, renda de ½);
  • Cadastramento do beneficiário e de sua família no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal, o CadÚnico.
  • Inscrição do beneficiário e dos membros da família no Cadastro de Pessoa Física, CPF.
  • Por ser um benefício assistencial, não é obrigatória a contribuição para a Previdência Social.

Isenção do Imposto de Renda

A visão monocular passou a ser considerada como uma deficiência grave pela lei. Em virtude disso, é possível que seja solicitado a isenção do imposto de renda nessa situação.

A isenção se refere aos valores recebidos de aposentadoria, pensão ou reforma militar.

Se esse é o seu caso, separamos um conteúdo completo sobre Isenção do Imposto de Renda caso tenha interesse em entender mais sobre esse tema.

Conclusão

Ao chegar até aqui você aprendeu sobre os direitos da pessoa com visão monocular.

Essa deficiência passou a ser reconhecida pela lei, trazendo diversos benefícios aos seus portadores.

Uma decisão de extrema importância e mais do que merecida, visto que a visão de apenas um olho trás uma série de dificuldades na vida pessoal e profissional dessas pessoas.

No dia sete de maio são comemorados o “Dia Nacional da Saúde Ocular” e o “Dia do Oftalmologista”. A Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO) faz nesta data, às 20h, o SMO Talks Especial Dia do Oftalmologista com o tema “Transformações do Mercado Oftalmológico“, aberto aos profissionais médicos para celebrar as datas e falar um pouco sobre o que o jovem médico e os oftalmologistas em geral devem saber sobre os principais desafios na carreira, sobretudo, para quem está começando.

Com as fusões e aquisições no setor de saúde, o que esperar para os próximos anos e quais as perspectivas para quem entra agora em um mercado extremamente competitivo? Participam do encontro João Neves, Breno Mello, presidente e vice-presidente da SMO, respectivamente; Frederico Pena, presidente da Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia (SBAO) e Valério Ribeiro, assessor jurídico da SMO. O evento será realizado através da plataforma ZOOM. Para participar, basta acessar o link.

Segundo o secretário geral da SMO, Luiz Carlos Molinari, a atenção com a saúde ocular deve acontecer durante todas as fases da vida. Tem início na gestação, nos cuidados com a mãe durante o pré-natal, e nos recém-nascidos submetidos ao teste do olhinho, capaz de detectar, ainda na maternidade, doenças como catarata e glaucoma congênitos, tumor e outros problemas oculares.

Até os 12 anos

Molinari orienta que a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista antes de completar um ano, para identificar problemas que possam impedir o desenvolvimento de uma visão de qualidade, e prevenir a cegueira infantil. “Os erros de refração, assim como o estrabismo, devem ser diagnosticados o mais precocemente possível, propiciando a melhor visão com a correção óptica adequada, evitando o atraso do desenvolvimento e o olho preguiçoso (ambliopia). São indicados exames aos quatro e depois em torno dos seis anos, e antes da alfabetização, e aos oito anos, fase em que o olho humano completa o desenvolvimento funcional definitivo. Após estas etapas da infância as visitas ao especialista são anuais, ou a qualquer momento, caso haja queixas oculares.”

A partir dos 13 anos

Levando-se em conta que o olho também envelhece, dos 13 aos 20 anos de idade os problemas de refração são mais frequentes (miopia, hipermetropia e astigmatismo), assim como o ceratocone, comum neste período da vida. De acordo com Molinari, tais irregularidades visuais podem ser solucionadas com o uso de lentes corretoras, e até, nas idades adequadas e atendendo às indicações específicas, cirurgias personalizadas. Essas são as de correção de grau e as técnicas de contenção do desenvolvimento do ceratocone.

Aos 40 anos

Aos 40 anos, o oftalmologista é procurado para solucionar as dificuldades de visão de perto; a presbiopia, conhecida como “vista cansada”. É importante que neste período o paciente seja submetido a uma avaliação oftalmológica, e não adquira no comércio as lupas para leitura, pois pode haver um mascaramento de problemas oculares, como catarata, glaucoma e outras.

A partir dos 60 anos

Por volta dos 60 ou 65 anos podem surgir problemas com a perda da transparência do cristalino, ou catarata, um risco real de cegueira, reversível com o auxílio de cirurgia e implante de lente intraocular.

Cuidados especiais

Para o secretário geral da SMO, alguns problemas demandam maior atenção, como nos casos de pacientes usuários de lentes de contato, que passaram por cirurgia refrativa, como miopia, glaucoma de difícil controle e portadores de retinopatia diabética ou degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Nesses casos, as consultas com o oftalmologista devem ser frequentes, para acompanhamento, e não apenas anuais. “Destacamos que é possível prevenir e tratar muitas enfermidades, e quando o cuidado é iniciado precocemente as chances são ainda maiores. O exame é um ato médico e só deve ser realizado pelo oftalmologista.”

Molinari acrescenta que no dia a dia algumas medidas são simples e contribuem para evitar doenças oculares. “Mantenha os olhos sempre higienizados, utilize óculos de sol, bonés, chapéus, para proteger do vento e das ações de raios UVA e UVB e evite coçá-los com frequência. No caso de olho seco, o profissional pode indicar lubrificantes oculares, ou lágrimas artificiais adequadas. Evite automedicação, como colírios contendo corticoides, que podem aumentar a incidência de catarata ou glaucoma. Mediante qualquer queixa, como dor, sensação de areia, olhos vermelhos ou falhas na visão, procure um oftalmologista.”

Perda da visão atinge milhares de brasileiros, mas pode ser evitável

 

A Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), em parceria com a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), alerta para o combate à cegueira com o ‘Abril Marrom‘, mês que marca a campanha. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o Brasil possui 1,2 milhão de cegos. São mais de seis milhões de brasileiros com alguma deficiência visual, com causas variáveis. De acordo com o diretor da SMO, Luiz Carlos Molinari, na maioria dos casos, a perda da visão poderia ter sido evitada com prevenção e diagnóstico precoce, além de manter um acompanhamento com o médico oftalmologista. “Especialmente durante a pandemia da Covid-19 os cuidados com a saúde dos olhos não devem ser negligenciados”, explica.

Molinari orienta que a atenção com a saúde ocular deve acontecer durante todas as fases da vida, desde a gestação, com o pré-natal, os cuidados do recém-nascido (incluindo infecções congênitas, conjuntivites), infância (estrabismo, erros de refração-miopia, hipermetropia, astigmatismo), passando pela vida adulta até a velhice. “Outros problemas requerem maior cuidado, como pacientes que usam lentes de contato, têm miopia, glaucoma, ou passaram por cirurgia retrativa, por exemplo.”

O especialista ainda lembra que portadores de retinopatia diabética têm 40% de chances de ter glaucoma, e 60% de desenvolver catarata; e pacientes com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que é uma perda progressiva da visão central, e a catarata, condição comum que ocorre com o envelhecimento. “Nesses casos, as consultas com o oftalmologista devem ser regulares, para acompanhamento, e não apenas visitas anuais.” Outras doenças podem ser diagnosticadas e tratadas através do exame ocular: hipertensão arterial, tumores, disfunções da tireoide, hanseníase, tuberculose, toxoplasmose, doenças reumáticas, Aids, lúpus, além das citadas acima.

O especialista também alerta a população para o cuidado necessário com as terapêuticas oferecidas no mercado, que prometem a cura de doenças oftalmológicas por meio de métodos duvidosos, além da atuação de profissionais não médicos no cuidado da visão. Ele reforça “a importância dos oftalmologistas para: diagnosticar, prescrever tratamento, acompanhar e orientar adequadamente o paciente quanto às suas necessidades oculares”. Especialmente, durante a pandemia, oriente-se previamente sobre como será a sua consulta e os seus exames e compareça!

O que você pode fazer para evitar problemas oculares:

– Alimentação: balanceada e adequada à sua rotina, incluindo alguns desses alimentos nas refeições e nos lanches: frutas vermelhas e cítricas, cenouras, folhas verdes, ovos, e peixes ajuda a evitar problemas na visão.

– Não fume. O tabagismo contribui para uveítes, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), síndrome do olho seco, catarata, etc.

– Não tome sol sem proteção. O uso de óculos de sol com proteção anti-UVA/UVB deve ser adotado já na primeira infância. Os raios UVA e UVB são cumulativos e podem levar ao câncer da membrana mucosa e transparente, a conjuntiva, que reveste e protege o globo ocular, além de seu espaçamento e fibrose (pterígio) e, ainda, inflamação da córnea, catarata, degeneração do vítreo e queimadura da retina com deterioração da visão central.

– Evite o uso excessivo de celulares, tablets e computadores, pois eles reduzem a produção de lágrimas (olho seco) e alteram o foco. O uso mais constante da visão de perto pelas crianças tem aumentado a prevalência da miopia.

– Evite colírios contendo vasocontritor ou corticoide sem indicação médica.

– Use protetores para evitar traumas oculares nas tarefas domésticas e no trabalho e reforce o cuidado com as crianças, pois os acidentes são mais frequentes no domicílio.

– O sono adequado pode contribuir para a fadiga ocular, que leva a irritação nos olhos, dificuldade de acomodação,olho seco ou lacrimejamento, visão turva e sensibilidade à luz. Procure dormir por sete horas e em ambiente com nenhuma ou baixa luminosidade.

– Agende uma consulta com o médico oftalmologista, sempre que necessário.

Sabe aquele brilho vermelho, geralmente indesejado, que preenche as pupilas, vez ou outra em fotos? Ele é causado pelo reflexo de estruturas que existem no “fundo de olho”, como retina, cabeça do nervo óptico e, em menor escala, coróide. A inspeção de tais estruturas é o “exame de fundo de olho”.

A forma mais simples e tradicional, mas também a mais limitada, de examinar o fundo de olho é a observação a partir do Oftalmoscópio Direto. Eventualmente, Pediatras, Clínicos Gerais e Neurologistas também fazem uso deste instrumento.

Oftalmoscópio Direto.

Visualização, bem mais rica em detalhes, pode ser alcançada por meio da Oftalmoscopia Binocular Indireta e da Biomicroscopia de Fundo. Estas modalidades são complementares uma à outra, sendo realizadas exclusivamente por Oftalmologistas.

Formas de visualização do “Fundo de Olho”: A) Oftalmoscopia Binocular Indireta; B) Biomicroscopia de Fundo.

Muitas doenças oculares podem ser diagnosticadas, ou terem a evolução clínica supervisionada a partir do exame de fundo de olho, por exemplo: Degeneração Macular Relacionada à Idade, Descolamento de Retina ou Glaucoma, entre outras. O mesmo ocorre para manifestações oculares de doenças como Diabetes Mellitus ou Hipertensão Arterial.

A partir dos achados clínicos do exame de fundo de olho, exames específicos a cada caso podem ser solicitados.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

Os desafios impostos pela pandemia da Covid-19 à educação médica exigem novas estratégias pedagógicas para a formação de profissionais éticos, humanistas, críticos e reflexivos. Estas estratégias estão centradas no ensino remoto, utilizando plataformas digitais de educação a distância. Houve adaptações ao modelo EAD, conhecido como Ensino Remoto Emergencial (ERE). Neste, utiliza-se recursos online de modo não planejado, desconsiderando aspectos importantes da realidade de estudantes e professores, bem como aspectos pedagógicos e tecnológicos envolvidos. Há necessidade de envolvimento dos professores com o processo pedagógico, planejamento das atividades e a identificação de meios apropriados. Não há consenso sobre a inserção dos estudantes nas atividades práticas. Evidenciou-se a existência da educação a distância mesmo antes da pandemia e vinculação com a prática da telemedicina, e a necessidade de os currículos incluírem disciplinas de gerenciamento de pandemia com foco na saúde pública.

A educação médica baseia-se, essencialmente, nas habilidades de conhecimento, comportamento e comunicação, a ser desenvolvidos nos estudantes. O conhecimento e a aprendizagem profunda exigem, ativamente, a interação professor-aluno em ambiente propício, difíceis de cultivar sem a interação aluno-paciente em tempo real; o ensino didático em sala de aula, com apresentações e aprendizagem no leito têm sido amplamente substituídos pelas plataformas online, autodirigidas. Mas o contato direto do professor-aluno e o feedback bidirecional em tempo real são difíceis de replicar em fóruns online.

Identificaram-se omissões acerca das limitações e fragilidades dessa nova estratégia pedagógica: a falta de acesso universal e igualitário aos meios digitais, a desconsideração de realidades minoritárias e subdesenvolvidas e a desvalorização das relações interpessoais essenciais à formação médica. Embora este formato de ensino-aprendizagem não seja fácil para alunos com baixa motivação e de baixos estratos socioeconômicos, por falta de equipamentos e conectividade, a adaptação a essas novas mudanças na educação médica é o único caminho a seguir.

Envolver os alunos em telemedicina, desde triagem por telefone até visitas eletrônicas e de acompanhamento e consultas, pode ajudar a preencher a lacuna na educação médica e na interação paciente-aluno. Teleconferências e workshops virtuais não podem substituir o treinamento clínico prático, e essa forma totalmente nova de aprendizado pode servir como uma opção aceitável em tempos de pandemia.

As escolas médicas têm o dever de fornecer educação continuada e possibilitar a formação dos futuros médicos. O ensino virtual é eficaz e as instituições estão trabalhando para desenvolver ainda mais esses recursos, para melhorar o envolvimento e a interatividade dos alunos. No futuro, as faculdades de medicina deverão adotar uma abordagem mais holística para a educação, e considerar o impacto mental da Covid-19 sobre os alunos, bem como melhorar a segurança e a tecnologia das plataformas virtuais.

A pandemia trouxe ansiedade, um aumento dos compromissos de trabalho, com redução significativa no tempo de recuperação e impacto da doença nos colegas médicos e familiares, associados aos estressores econômicos, sociais, isolamento e pressões sociais. Os profissionais de saúde e estagiários foram desafiados cognitiva e emocionalmente pela morbidade e mortalidade ocorrendo em um curto e súbito período de tempo. Devemos estimular empatia e bem-estar emocional para todos, praticadas pelas instituições, programas patrocinadores e professores.

A Organização Mundial da Saúde observou que os profissionais de saúde têm um risco aumentado de problemas de saúde mental, não apenas devido ao sofrimento emocional do isolamento social, mas também devido à exposição à morte e à doença, à escassez de pessoal e de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s), e ao sofrimento moral no cuidado aos pacientes.

Há relatos de burnout, ansiedade, sensação de impotência, medo e tristeza. Investiu-se nas mentorias (e-mentoring), muito valorizadas pelos mentores e mentorandos, com um apelo muito forte na saúde mental. Os encontros têm acontecido entre os mentores, com bagagem teórica sólida, aliada a uma experiência prática extensa e bem sucedida na área que será debatida, e os alunos, mentorandos, que buscam novos conhecimentos e habilidades. Não há aulas expositivas, mas sim discussões horizontais, e os participantes expressam suas opiniões e questionam quais as melhores estratégias para resolução de problemas. As reflexões se impõem, estimuladas por vídeos de curta duração, podcasts,e outros. Este aprendizado ativo, baseado em problemas reais, aproxima teoria e prática. Embora os alunos se sintam substancialmente sobrecarregados e preocupados com o impacto da pandemia em seus estudos, parecem lidar bem com o formato do curso digital.

A motivação para estudar durante a pandemia da Covid-19 diminuiu entre a maioria dos alunos, o que deve ser abordado pelas escolas médicas interessadas em desenvolver intervenções eficazes, para apoiá-los na pandemia e no ensino online contínuo.

O peso total da carga de saúde mental sobre os profissionais de saúde e estagiários ainda não é conhecido, mas provavelmente será significativo.

 

*Artigo publicado por Luiz Carlos Molinari Gomes – Oftalmologista associado à SMO.

De 8 a 14 de março aconteceu a semana Mundial do Glaucoma. Oftalmologistas alertam sobre a doença que é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Ela é crônica, danifica o nervo ótico e envolve a perda de células da retina responsáveis por enviar os impulsos nervosos ao cérebro.

O diretor da Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), Luiz Carlos Molinari, explica que o Glaucoma é causado pela alta pressão ocular. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 10% dos casos de cegueira no mundo são ocasionados por esse mal. “O Glaucoma é silencioso, não apresenta sintomas. É preciso ficar atento e procurar um especialista se houver casos da doença na família.” De acordo com Molinari, é necessário desde cedo fazer um acompanhamento, uma vez que se não for tratado, pode levar à cegueira irreversível. Ele destaca ainda que, embora não se consiga afirmar exatamente por que uma pessoa desenvolve o glaucoma, estudos mostram que ele é mais frequente em pessoas:

  • idade avançada;
  • hipertensão arterial (pressão alta);
  • miopia elevada (graus muito altos de miopia);
  • histórico de glaucoma na família;
  • diabetes;
  • lesões oculares;
  • raça negra.

O glaucoma pode ser:

  • Congênito: presente no nascimento, os recém-nascidos apresentam globos oculares aumentados e córneas embaçadas;
  • Secundário: ocorre após cirurgia ocular, catarata avançada, uveítes, diabetes, traumas ou uso de corticoides;
  • Crônico: costuma atingir pessoas acima de 35 anos de idade. Uma das causas pode ser obstrução do escoamento de um líquido que existe dentro do olho chamado humor aquoso. No glaucoma crônico, os sintomas costumam aparecer em fase avançada, isto é, o paciente não nota a perda de visão até vivenciar a “visão tubular”, que ocorre quando há grande perda do campo visual (perda irreversível).

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, aproximadamente 3% da população brasileira acima de 40 anos apresentam Glaucoma. “Somente o exame cuidadoso dos olhos – o que inclui a aferição da pressão intraocular e o exame de fundo de olho, – realizado por um médico oftalmologista, é capaz de detectar o glaucoma. O tratamento é feito com uso regular de colírios. Em alguns casos, aplicações de laser ou mesmo cirurgias podem ser necessárias para deter o avanço da doença.”

O tratamento também vai variar conforme o tipo de Glaucoma, que pode ser de ângulo aberto ou fechado. O primeiro é mais comum e não costuma apresentar sintomas, além da perda gradativa da visão. Já o de ângulo fechado são casos mais raros e graves, que precisam de emergência médica e vêm acompanhados de dores oculares, náuseas e distúrbios da visão. Consulte seu oftalmologista periodicamente, e faça a prevenção do glaucoma. Molinari orienta que é preciso procurar o oftalmologista se apresentar:

  • dores nos olhos;
  • visão distorcida;
  • aureolas de arco-íris ao redor das luzes;
  • dor de cabeça, náusea e vômito.

 

Fonte: Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO) e Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

É bem provável que ao observar os olhos de alguém, com 50 anos ou mais, você tenha notado um halo claro circundando a parte colorida dos olhos, é o chamado Arco Senil. Formado pela deposição de colesterol na córnea, o Arco Senil não traz prejuízos à visão, não necessitando de tratamento.

Observe o halo claro na periferia corneana, é o Arco Senil.

Caso esteja presente em pessoas mais jovens, pode significar que os níveis sanguíneos de colesterol e de outras gorduras encontram-se anormalmente altos. Como ocorre em outras ocasiões, um achado ao exame Oftálmico de rotina, pode ajudar na detecção ou acompanhamento de condições clínicas do(a) paciente.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

Muitas pessoas imaginam que caso alguém passasse consecutivamente por dois “Exames de Grau” (ou Refratometria), com intervalos de poucos dias a poucas semanas entre esses exames, os resultados seriam idênticos. Principalmente, no caso de o(a) Oftalmologista ser o(a) mesmo(a). No entanto, isto não é bem assim.

A Refratometria consiste de duas etapas:

1) Fase objetiva: conduzida pelo(a) Oftalmologista, na qual diagnosticam-se e quantificam-se eventuais erros de refração (miopia, astigmatismo ou hipermetropia);

2) Fase subjetiva: os achados do(a) Oftalmologista são apresentados a(o) paciente, a quem cabe refiná-los de acordo com preferências pessoais. Quanto maior a assertividade do(a) paciente nesta etapa, mais confiáveis os resultados.

Ambas as etapas estão sujeitas a pequenas variações de mensuração e análise. Disto, podem resultar pequenas diferenças entre exames consecutivos. A essas diferenças, podem somar-se modificações consistentes nas ametropias, caso o intervalo entre os exames seja significativo, como de um ano para o outro.

A Refratometria pode ser realizada com ou sem o uso dos colírios, conforme o caso. Falaremos sobre isso adiante.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

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