Diretrizes brasileiras sobre avaliação oftalmológica de crianças saudáveis menores de 5 anos: exames recomendados e frequência

por Julia Dutra Rossetto e Fabio Ejzenbaum

Objetivo:

Fornecer orientações sobre a frequência e os componentes dos exames oftalmológicos para crianças saudáveis de 0 a 5 anos.

Métodos:

Essas diretrizes foram desenvolvidas com base em revisão bibliográfica e experiência clínica de um comitê de especialistas. Foram realizadas buscas PubMed/Medline; documentos selecionados não se restringiram a revisões sistemáticas, ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais. Quando adequado, o perfil GRADE foi aplicado para graduá-los e o consenso de especialistas foi usado nos tópicos sem evidência científica. Também foram revisadas as recomendações pela Academia Americana de Pediatria, Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo, Academia Americana de Oftalmologia, Royal College of Ophthalmologist e Sociedade Canadense de Oftalmologia. O documento final foi aprovado pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Resultados:

Os recém-nascidos devem ser submetidos ao teste do reflexo vermelho e inspeção dos olhos e anexos pelo pediatra dentro de 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade. O teste do reflexo vermelho deve ser repetido pelo pediatra durante as consultas de puericultura pelo menos três vezes ao ano durante os primeiros 3 anos de vida. Se factível, um exame oftalmológico completo pode ser feito entre 6 a 12 meses de vida. Até os 36 meses de idade, os marcos visuais, função visual apropriada para a idade, fixação e alinhamento ocular também devem ser avaliados pelo pediatra ou médico da família. Pelo menos um exame oftalmológico completo deve ser realizados entre 3 e 5 anos de idade. O exame deve conter pelo menos inspeção dos olhos e anexos, avaliação da função visual apropriada para a idade, avaliação da motilidade e alinhamento ocular (testes de cobertura), refração sob cicloplegia e avaliação do fundo de olho dilatado.

Conclusões:

As diretrizes sobre a frequência da avaliação oftalmológica são ferramentas importantes para orientar os médicos sobre a melhor prática a fim de evitar problemas visuais tratáveis na infância, que poderiam comprometer seu desenvolvimento social, escolar e global, além de causar perda permanente da visão.

Descritores:
Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Triagem visual; Testes visuais; Criança; Lactente

Sabe aquele brilho vermelho, geralmente indesejado, que preenche as pupilas, vez ou outra em fotos? Ele é causado pelo reflexo de estruturas que existem no “fundo de olho”, como retina, cabeça do nervo óptico e, em menor escala, coróide. A inspeção de tais estruturas é o “exame de fundo de olho”.

A forma mais simples e tradicional, mas também a mais limitada, de examinar o fundo de olho é a observação a partir do Oftalmoscópio Direto. Eventualmente, Pediatras, Clínicos Gerais e Neurologistas também fazem uso deste instrumento.

Oftalmoscópio Direto.

Visualização, bem mais rica em detalhes, pode ser alcançada por meio da Oftalmoscopia Binocular Indireta e da Biomicroscopia de Fundo. Estas modalidades são complementares uma à outra, sendo realizadas exclusivamente por Oftalmologistas.

Formas de visualização do “Fundo de Olho”: A) Oftalmoscopia Binocular Indireta; B) Biomicroscopia de Fundo.

Muitas doenças oculares podem ser diagnosticadas, ou terem a evolução clínica supervisionada a partir do exame de fundo de olho, por exemplo: Degeneração Macular Relacionada à Idade, Descolamento de Retina ou Glaucoma, entre outras. O mesmo ocorre para manifestações oculares de doenças como Diabetes Mellitus ou Hipertensão Arterial.

A partir dos achados clínicos do exame de fundo de olho, exames específicos a cada caso podem ser solicitados.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

A Síndrome da Disfunção lacrimal, ou mais comumente chamado, o “Olho Seco” está diferente.  Se antes era uma doença mais rara e prevalente principalmente em mulheres de meia idade, ultimamente vem se tornando muito comum nos consultórios oftalmológicos em todo o mundo e inclusive no Brasil. As causas desta mudança não são totalmente claras, mas suspeita-se que o uso abusivo de tecnologias tais como telas de computadores e celulares de forma extensiva possa ser atribuída. A razão para isto seria decorrente do baixo ritmo de piscadas observada durante o uso deste equipamentos.

Estudos mostram  que comumente as pessoas tendem a ter este comportamento durante seu uso e supõe-se que esta baixa frequência interfira na produção oleosa do componente lacrimal. A lágrima sabidamente é composta de água, muco, óleo e minerais dissolvidos, sendo a oleosidade responsável pela proteção contra evaporação. A camada aquosa é produzida pelas glândulas lacrimais e muito raramente são as causas  deste tipo atual de olho seco. A fina mas importante camada oleosa é a mais externa e é produzida pela chamadas glândulas de meibomius, que desembocam seu conteúdo na borda palpebral de maneira suave a cada piscada. Portanto, piscar pouco libera uma menor quantidade deste produto e com o tempo isto vai se tornando constante.

Muitas pessoas tem seu trabalho totalmente ligado ao uso de telas e sua produtividade depende da velocidade durante seu uso, ficando atividades fisiológicas como piscar, olhar para longe, movimentar o corpo, beber água etc. gradativamente esquecidas. Muitos desconhecem estes riscos e se concentram fortemente em seus trabalhos, não tendo consciência das possíveis consequências dos maus hábitos que a vida moderna impõe.

Os computadores, assim como os celulares, exercem um verdadeiro fascínio sobre seus usuários e se tornaram essenciais nas nossas vidas. Uma lágrima sem uma boa camada oleosa se torna fraca e desequilibrada e não cobre a primeira lente dos olhos, que é a córnea, de maneira eficiente. A córnea por sua vez se torna progressivamente mais ressecada, podendo alcançar níveis preocupantes, mas de maneira variável.

Alguns tem sintomas bem claros tais como ardor, sensação de ciscos, vermelhidão leve, intolerância à luminosidade e coceira, mas outros podem  ter olho em pior estado sem tais queixas e esta paradoxalidade deixa confusos os pacientes e médicos. Também causa estranheza o fato de muitos sentirem que tem olhos secos e que lacrimejam. O lacrimejamento também pode ser uma queixa de olho seco porque a camada aquosa está presente mas a camada oleosa que a protege evapora rápido. Isto permite que a córnea fique despida da sua proteção e envia um sinal ao cérebro interpretado como ardor, que por sua vez envia um sinal para a glândula lacrimal para aumentar sua produção.

Mais recentemente, graças a chegada de novas tecnologias e exames, tais como osmolaridade lacrimal e testes imunológicos buscando detectar a presença de compostos inflamatórios presentes na lágrima de portadores de olhos secos vêm ajudado os oftalmologistas a detectarem mais facilmente sua presença. O diagnóstico pode no entanto ser mesmo assim desafiador.

Nos últimos anos temos observado “Olho Seco” em pacientes bem mais jovens, com algumas destas queixas e surpreendentemente muitas vezes nenhum sinal ocular pode ser detectado. Ambos os sexos estão suscetíveis e estes pacientes ainda não chegaram à idade em que as doenças degenerativas começam a mostrar seus incômodos. A causa nestes casos é atribuída ao adormecimento destas glândulas pela baixo número de piscadas e não ao envelhecimento natural. A camada aquosa que é produzida pelas glândulas lacrimais está normalmente presente mas a oleosa está deficiente.

Um outro aspecto decorrente do “Olho Seco” seria a intolerância às lentes de contato gelatinosas que vem progressivamente se tornando cada vez mais frequentes. Muitos já não toleram simplesmente usá-las o dia todo. A lentes  de contato hidrofílicas (gelatinosas) necessitam da umidade da lágrima para se manterem macias e confortáveis. Fora dos olhos, em poucos minutos estarão completamente secas e olhos secos não toleram uma competição pela lágrima. Assim, um tratamento para este problemas precisa ser instituído.

Após a realização de exames para diagnose, o alvo inicial é o tratamento das glândulas de meibomius, e atitudes como trocas mais frequentes das lentes com seu uso reduzido e uso de lubrificantes não preservados para muitos casos não são suficientes. O alvo terapêutico esta claro: é necessário que as glândulas de meibomius voltem ao seu estado natural e liberem sua oleosidade tornando a lagrima eficiente.

O “Olho Seco” precisa ser tratado e este tratamento visa também recuperar a função palpebral e de suas glândulas. Ate há poucos anos seu tratamento era tentado às custas de compressas quentes e massagem palpebral, e no caso de infecções com o uso de antibióticos e anti-inflamatórios por tempo prolongado, sendo portanto taxados de incômodos e pouco eficazes.

O uso de lubrificantes faz parte da base assim como uso de colírios anti-inflamatórios e ainda adição na dieta de Ômega 3, que pode ser útil para alguns casos onde esse elemento estaria escasso. A boa novidade é que nos últimos 3 anos uma nova terapia vem se mostrando eficiente para se conseguir a estabilidade do filme lacrimal. O “IRPL”  (Luz pulsada regulada intensa) ativa as glândulas de meibomius trazendo a produção oleosa à normalidade sendo bem rápido (cerca de um minuto) e indolor. Após 3 ou 4 sessões é possível que haja uma completa recuperação da camada oleosa e assim ser possível voltar ao uso de lentes de contato e muitas vezes abandonar o uso frequente de colírios lubrificantes.

Estas sessões costumam ser eficientes por até mais de um ano, com uma única sessão anual posteriormente para manutenção, e tem sido apontada como vantajosa a fim de perpetuar seus efeitos benéficos. Não há riscos relacionado ao seu uso e a única contra indicação importante seria pele negra porque impede a passagem da luz para as camadas mais profundas onde estão as glândulas de meibomius.

Os portadores de “Olho Seco” precisam criar maneiras racionais no uso intensivo de telas, tentando se possível diminuir seu uso, ou ao menos criando momentos de descanso e procurando conscientizar que é necessário piscar mais. Além disto, devem evitar a entrada de água nos olhos sob pena de trocarem uma lágrima ainda que deficiente por água, o que seria uma troca desvantajosa. Da mesma forma o uso de soro fisiológico remove a pouca oleosidade ainda existente. Neste caso, lubrificantes são preferíveis ao uso do soro.

 

*Artigo publicado por Leonardo Gontijo – Oftalmologista associado à SMO.

O diabetes mellitus é uma doença bastante prevalente. Estima-se que aproximadamente 10% da população mundial é diabética. Trata-se de uma doença que pode afetar a saúde ocular, principalmente quando acomete uma estrutura nobre do olho denominada retina. Retinopatia diabética é o termo utilizado quando existe comprometimento da retina pelo diabetes. A retinopatia diabética é a principal causa de baixa visual em pacientes na faixa etária economicamente ativa, ou seja, pacientes entre 25 e 65 anos. O comprometimento visual tem um grande impacto na qualidade de vida do paciente diabético. Abaixo encontram-se 4 dicas para preservação da saúde ocular do paciente diabético:

  1. Mantenha controle periódico com médico endocrinologista. Ele será responsável por solicitar exames complementares necessários e orientar sobre o tratamento sistêmico. O tratamento deve ser individualizado, muitas vezes a medicação de um paciente difere da necessidade de outro paciente. Portanto, siga as orientações do seu endocrinologista em relação aos medicamentos para o controle/tratamento da sua doença.
  2. Tenha uma alimentação balanceada, se possível sob orientação do nutricionista. A alimentação balanceada tem papel não somente para o controle glicêmico, mas também para melhoria do bem-estar geral dos indivíduos.
  3. Faça exercícios físicos regularmente. A atividade física é muito importante para a manutenção da saúde como um todo. No caso do diabetes, os exercícios ajudam a controlar os níveis de açúcar e melhoram a ação da insulina, além de ajudar a reduzir/controlar o peso e fortalecer o coração.
  4. Visite seu médico oftalmologista. Todo paciente diabético deve passar regularmente por um exame de fundo de olho. O objetivo desse exame é diagnosticar precocemente a retinopatia diabética e preservar a boa visão do paciente. Com o diagnóstico precoce, o tratamento será mais simples e possivelmente com excelentes resultados visuais. Doenças em estágio avançado tornam os tratamentos mais complexos e a baixa visual pode ser irreversível em alguns casos.

Atualmente existem várias modalidades de tratamento da retinopatia diabética, desde a aplicação de LASER, uso de medicamentos intraoculares e cirurgias. O tratamento da retinopatia diabética é eficaz em mais de 90% dos casos na prevenção de baixa visual.

Faça uma consulta com o oftalmologista! Ele é fundamental para a preservação da saúde ocular do paciente diabético.

*Artigo publicado por Frederico Braga Pereira – Oftalmologista associado à SMO.

“Cor não é só cor. É conceito. O verde é calmo, o vermelho é quente, o preto é sóbrio. Assim escolho minhas roupas e meus sapatos”. (Olga Barbosa da Silva Pereira)

Assim é o mundo em preto e branco descrito por uma acromata. Mas, como ocorre essa percepção nos indivíduos cromáticos?

Segundo a Classificação Internacional da Funcionalidade (CIF, 2003) a visão de cores é uma função visual relacionada à diferenciação e combinação de cores.

Pouco conhecida no bebê, aos 2 meses uma criança é capaz de discriminar comprimentos de onda semelhante ao adulto, embora ela necessite cores mais fortes, com maior brilho.

A identificação de uma cor relaciona-se a uma série de fatores incluindo não somente a cor de um objeto, mas, de todos os objetos ao seu redor. Devem ser consideradas as suas características básicas como tonalidade ou tom, relacionada com o comprimento de onda da radiação (nomeação da cor), saturação ou croma, grau de pureza da cor e brilho ou luminosidade, relativo à quantidade de luz emitida por um objeto. A modificação de um desses fatores pode ajudar na percepção da cor. Assim, as cores são relativas, como afirma Hyvarinen (2011).

São conhecidas várias teorias para explicar a visão cromática, citadas por Urbano (1976). A Teoria tricromática de Young – Helmholtz (1802) é considerada a base da óptica fisiológica. Ela estabelece a existência na retina de três mecanismos neurais independentes. Cada ponto sensível da retina ao ser estimulado agiria sobre uma parte específica do espectro, resultando no vermelho, verde e azul, cores básicas. A combinação da quantidade de cada cor forma todo o espectro visível. Contudo, esta teoria não explica porque certas cores se inibem entre si. Ewald Hering (1872), acreditava na existência de três canais de cores complementares e antagônicos: vermelho-verde, azul-amarelo e branco-preto, compatível com o princípio neurofisiológico da excitação e inibição (teoria da oponência das cores). Riggs (1967) admite que a visão cromática é um misto da teoria tricromática de Young/Helmholtz e outras como a teoria de oponência das cores. Brindley (1957), admite a participação de toda a via óptica desde cones e bastonetes até o córtex estriado. Bartels e Zeki (2000) descrevem o complexo V4, considerado o centro do senso cromático no córtex cerebral.

Segundo WRIGHT (1957), do ponto de vista cromático os indivíduos podem ser classificados como tricromata (normal e anormal), dicromata, acromata ou monocromata. Os tricromatas normais percebem todo o espectro visível ao olho humano, desde o azul (380 nm), passando pelo verde (500 nm) até o vermelho (780 nm).

Figura 1: Espectro de absorção dos três tipos de cones (fonte: http://saude.hsw.uol.com.br)

Já os tricromatas anormais percebem as três cores básicas, mas, uma delas de forma deficitária – é a protanomalia no déficit para o vermelho; a deutanomalia, para o verde, a tritanomalia para o azul e a tetartanomalia para o amarelo, também considerado cor básica por Hartridge. Para vê-la corretamente é necessário aumentar uma das três variáveis da luz monocromática: saturação, tonalidade e brilho. O dicromata não percebe uma das três cores básicas, mesmo modificando suas variáveis – têm-se a protanopia, deutanopia, tritanopia ou tetartanopia. O acromata identifica somente brilhos diferentes.

Discromatopsia (dis=distúrbio; cromos=cor; opsis=olho) é um termo genérico usado para designar qualquer distúrbio de cores. Pode ser classificada em formas congênitas (hereditárias) e adquiridas. O termo daltonismo refere-se comumente a uma discromatopsia congênita. As formas congênitas protan e deutan são recessivas ligadas ao cromossomo X; o distúrbio tritan é autossômico dominante e a acromatopsia autossômica recessiva. A discromatopsia congênita no eixo vermelho-verde é a mais comum, sendo mais frequente nos homens (8%) que nas mulheres (0,4%). Já no eixo azul-amarelo ela é rara. As formas adquiridas, sem componente genético, são devidas a doenças sistêmicas ou oculares propriamente ditas.

As alterações do senso cromático podem ser determinadas através de inúmeros testes cromáticos. Abordaremos aqui os mais comumente usados em nossa clínica diária.

Os testes de Discriminação ou Confusão constituem o Teste de Ishihara, Color Vision Testing Made Easy (CVTME), Atlas de Hardy-Rand-Rittler (HRR).

Figura 2: Testes cromáticos: Ishihara, CVTME e D 15 dessaturado

Consistem em lâminas com figuras de diferentes cores e tamanhos, que mascaram números, figuras ou linhas sinuosas. O teste de Ishihara é o mais empregado, de fácil e rápida realização. Utilizado basicamente, para identificar discromatopsias hereditárias no eixo vermelho/verde e acromatopsia. Cada tábua tem sensibilidade e especificidade entre 85 a 95% e o exame completo muito próximo a 100%. Às vezes, falha no diagnóstico de uma discromatopsia moderada ou detecta uma, em indivíduo normal, que apresenta apenas uma discriminação baixa para cores. O CVTME é similar ao Ishihara. Consiste em lâminas que contêm figuras de círculo, quadrado, estrela, barco, cachorro ou carro. Adequado para crianças maiores de três anos. O HRR estuda as alterações do senso cromático, tanto qualitativa (protan, deutan, tritan e tetartan), quanto quantitativamente (leve, moderada, forte). Contudo, às vezes falha nas discromatopsias congênitas, sendo mais indicado para as formas adquiridas.

Os métodos de comparação ou classificação mais comumente utilizados são: Panel D15 de Farnsworth-munsell (Panel D 15), D15 dessaturado, Teste de Farnsworth-munsell 100 Hue e Good Lite Panel 16 Quantative Color Vision Test (Panel 16). São indicados, preferencialmente, nas discromatopsias adquiridas, podendo mostrar-se normal nas discromatopsias congênitas. Panel D 15 (Linsksz,1964), constitui teste simples, rápido e pode ser aplicado em crianças acima de cinco anos, que colaboram bem. Panel D 15 dessaturado – Lanthony (1974), detecta formas frustas de distúrbio cromático, que escapam ao Panel D15, quando tricromatas normais e anormais podem apresentar resultado normal. Teste de 100 HueFarnsworth(1943) , consta de 85 pastilhas com o mesmo brilho e pequeníssimas diferenças de saturação e o mínimo de tonalidade diferencial entre elas. Classifica as discromatopsias (sobretudo as adquiridas) qualitativa, mas, não quantitativamente. Consome muito tempo na sua realização além de necessitar boa colaboração do examinando o que, limita seu uso na prática diária.  O Panel 16 é um método de comparação semelhante ao D 15, sendo indicado na baixa visão por utilizar pastilhas maiores, de mais fácil reconhecimento.

Tem sido demonstrado ao longo dos anos que nenhum teste de visão de cores é auto suficiente. Para um diagnóstico conclusivo de uma discromatopsia, torna-se necessária a realização de exames complementares ao Ishihara quando a caracterização do tipo e grau da discromatopsia se torna necessário.

Não existe um tratamento específico para a discromatopsia. Na forma adquirida, o tratamento da patologia de base ajuda a melhorar a percepção da cor. Pode-se, também, adotar outras condutas como a melhora do nível de iluminação, evitando-se luz fluorescente, adoção de estratégias de identificação através de formas e tamanhos variados, uso de cores contrastantes para o objeto e seu fundo (cores opostas) além do uso de filtros coloridos, lembrando que o filtro vermelho intensifica a percepção do vermelho e diminui o brilho do verde facilitando assim, a melhor identificação das cores. Aplicativos como o Be my eyes ou o Colorino podem ser prescritos para ajudar na identificação da cor. Os óculos EnChroma são bem indicados para os tricromatas anormais tendo resposta limitada nos dicromatas.

       Figura 3: Colorino e óculos EnChroma

O interesse pelo estudo da visão cromática mostra-se crescente. O conhecimento do grau e tipo de uma discromatopsia permite esclarecer um diagnóstico, orientar o indivíduo em suas atividades diárias e escolares, além de permitir melhor orientação a adolescentes e adultos na escolha da profissão, promovendo uma melhor qualidade de vida.

 

*Artigo publicado por Luciene Fernandes – Oftalmologista associada à SMO.

Você sabia que os bebês podem nascer com um entupimento do canal por onde a lágrima é eliminada? Isto provoca lacrimejamento, já que a lágrima é produzida constantemente para manter os olhos sempre úmidos, e, como não pode ser eliminada pelos seus ductos, ela “vaza”.

Esta situação é bastante frequente, e 1 em cada 5 crianças podem ter o sintoma característico que é o olhinho sempre molhado e com muita lágrima. Outro sintoma também muito frequente é a criança apresentar secreção (remela) no canto interno do olho quase que diariamente. Ressalta-se que o olho em si normalmente fica branco, como um olho normal, ao contrário da conjuntivite quando o olho fica vermelho.

O tratamento indicado é com uma massagem e higiene e, felizmente, na grande maioria dos casos há uma melhora no primeiro ano de idade. A partir daí pode ser indicada uma cirurgia para a desobstrução.

O médico oftalmologista é o profissional treinado para cuidar dos olhos e para orientar os pais sobre a melhor forma de tratar este problema e o melhor momento para fazer algum tipo de cirurgia quando esta for necessária.

*Artigo publicado por Silvia Rodrigues – Oftalmologista associada à SMO.

As lentes de contato são excelentes recursos ópticos. Sua adaptação é regida pela resolução CFM 1965/2011. Fica, desta forma, definido que a adaptação é um ato exclusivo do médico baseado em exame ocular completo recente e exames complementares pertinentes.

A partir desta análise, o oftalmologista definirá a lente mais adequada para cada paciente, com base na lubrificação do olho, curvatura da córnea, “grau”, dentre outros fatores .

Temos lentes de uso único, quinzenal, mensal e anual. Há opções para pacientes com vista cansada , astígmatas e com alterações corneanas. Existem lentes de contato com proteção UV, transitions, indicadas para aqueles com incômodo quando expostos à luz.

Quanto ao material, as lentes de contato podem ser rígidas ou gelatinosas. As rígidas são adequadas para qualquer tipo de grau e são fundamentais para dar boa visão aos pacientes com alterações superficiais de córnea. O conforto inicial é menor , porém o olho tende a se acostumar .

As gelatinosas, por sua vez, são extremamente confortáveis e geralmente utilizadas nos pacientes com córneas normais. As lentes tendem a melhorar a nitidez e ampliar o campo de visão.

Apesar dos inúmeros benefícios, é fundamental trocá-las no período indicado, e ter bons hábitos de higiene. As lentes de uso único devem ser descartadas após a sua remoção do olho. As de troca programada devem ser trocadas dentro do período recomendado, mesmo não fazendo o uso diário das mesmas.

É necessário utilizar as soluções próprias de limpeza para lente e renová-las diariamente no estojo. Antes de remover e colocá-las, é preciso lavar e secar as mãos, e a lente deve ser limpa e enxaguada com a solução específica, antes de ser guardada no estojo. O estojo deve ser lavado uma vez por semana com água e sabão e com as soluções apropriadas, e trocado a cada três ou quatro meses.

A não observância a estes cuidados pode levar a processos alérgicos e ou infecciosos nos olhos. Em casos extremos, é possível ocorrer lesão permanente no olho e perda da nitidez das imagens e consequente deficiência visual. Tendo em vista toda esta gama de opções e variáveis, somente o médico oftalmologista poderá orientar e adaptar as lentes de contato nos seus pacientes.

 

*Artigo publicado por Breno de Mello Vitor – Oftalmologista associado à SMO.

Muitas pessoas imaginam que a determinação do “grau” de cada olho seja uma mensuração simples e inequívoca, indicada mecanicamente por algum equipamento. Ou ainda, que a prescrição de lentes corretivas, sejam elas, por meio de óculos ou lentes de contato, ocorreria como consequência óbvia dessa mensuração.

A realidade, no entanto, é bem mais complexa. Fatores próprios de cada paciente, como idade, estado geral de saúde, eventual ocorrência de alguma doença ocular (3.892 são conhecidas!!!), ocupação profissional e, mesmo, a estatura devem ser levados em consideração para a prescrição. Imaginemos alguns exemplos simples:

  • Duas pessoas saudáveis, com 1,50 de hipermetropia em ambos os olhos, uma aos 17 anos, cursando o ensino médio, outra aos 41 anos, Dentista. A primeira pode não apresentar queixas visuais, enquanto a segunda, dificilmente conseguiria trabalhar confortavelmente sem o uso de óculos.
  • Ou duas professoras universitárias saudáveis, aos 40 anos, ambas sem “grau” para longe, uma medindo 1,60 m de altura, a outra 1,90 m. É provável que a primeira inicie com uso de correção para perto antes que a segunda.
  • Consideremos como último exemplo, dois pilotos, por volta dos 30 anos, diagnosticados com miopia de 1,00 para ambos os olhos, um clinicamente saudável, o outro com diabetes de controle difícil. Para o paciente diabético, é bem provável que a determinação do grau tenha sido menos “exata” por influência da doença. Disto, decorre que este paciente apresenta maiores chances de ficar insatisfeito com a prescrição.

Inúmeros – e por vezes, complexos – são os cenários a serem considerados, tanto na determinação do grau, quanto na prescrição de lentes corretivas. Não por acaso, em decisão recente do Supremo Tribunal Federal, o exame ocular, bem como a prescrição de lentes corretivas foram reconhecidas como atividades restritas à Medicina, sendo que o Oftalmologista é o especialista melhor capacitado para tanto.

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

Este post não é sobre “Iridologia” (prática não reconhecida pela Medicina, por carecer de embasamento científico), mas sobre manifestações irianas de doenças oculares.

A avaliação clínica da íris (estrutura que dá cor aos olhos), por vezes, fornece informações relevantes ao evidenciar alterações decorrentes de diversas doenças, entre as quais processos inflamatórios, isquêmicos ou tumorais. Seguem alguns exemplos:

Vasos sanguíneos anômalos da íris (evidenciando isquemia ocular crônica).
Nódulos irianos (compatíveis com Neurofibromatose I).

Pode ainda, ser ela própria afetada por mal-formações presentes ao nascimento (como o coloboma mostrado a seguir), ou adquiridas, como nas lesões decorrentes de traumas oculares.

Coloboma (mal-formação iriana).

A avaliação clínica da íris faz parte da consulta oftálmica de rotina. Informe-se com seu Oftalmologista de confiança.

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

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