Editorial: “Reconstruindo a excelência na formação médica”, por Luiz Carlos Molinari

Por Luiz Carlos Molinari, publicado no Jornal AMMG Fevereiro / Março 2026.

O desempenho insatisfatório de diversos cursos de Medicina no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acende um alerta que não pode ser ignorado. Quando parcela significativa dos estudantes apresenta baixo rendimento, o problema ultrapassa indicadores estatísticos e revela fragilidades estruturais na formação oferecida. Trata-se de questão que impacta diretamente a qualidade da assistência prestada à população e evidencia os riscos da expansão desordenada de escolas médicas sem condições adequadas de funcionamento.

A formação médica deve ir além da transmissão de conteúdos teóricos. É indispensável base sólida em ciências básicas, integração progressiva com a prática clínica e vivência estruturada na Atenção Primária e nos diferentes níveis de complexidade do sistema de saúde. O estudante precisa desenvolver raciocínio clínico consistente, capacidade de decisão fundamentada em evidências científicas, postura ética, comunicação empática e compromisso social. Corpo docente qualificado, com experiência assistencial e produção acadêmica, constitui elemento essencial para garantir qualidade formativa.

Além disso, são necessários campos de prática adequados, hospitais de ensino estruturados e supervisão
efetiva durante o internato. A simples ampliação de vagas não resolve a demanda social se não houver responsabilidade pedagógica e compromisso institucional com excelência.

Ao futuro estudante cabe avaliar criteriosamente a instituição escolhida, observando resultados em avaliações nacionais, infraestrutura, hospital-escola, titulação docente e inserção comunitária. Durante o curso, sua postura deve ser ativa: buscar estágios, participar de atividades acadêmicas, envolver-se em pesquisa e manter atualização constante. Ética, humildade intelectual e respeito ao paciente devem orientar toda a trajetória.

O Brasil necessita de médicos tecnicamente competentes, humanistas e comprometidos com a saúde pública. A melhoria da formação médica depende de instituições responsáveis e de estudantes conscientes de seu papel na construção de uma medicina de qualidade.

O ensino médico exige dedicação integral, estudo contínuo e ética inegociável. O aluno deve buscar a postura de investigador, utilizando a universidade como plataforma de aprendizado prático e não apenas para obtenção de diploma. A medicina é uma ciência, mas também um sacerdócio que exige empatia.

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