CORONAVÍRUS: Recomendações aos Oftalmologistas

Suspensão imediata de procedimentos eletivos

A primeira recomendação do CBO, da Academia Americana de Oftalmologia e da Sociedade Mineira de Oftalmologia é adiar todas as consultas, procedimentos e/ou cirurgias eletivas, mesmo em áreas que ainda não há suspeita da doença. Porém, antes de suspender as atividades, o conselho indica que o médico revise o prontuário do paciente para ter certeza da possibilidade de cancelamento.

Com isso, garantir: quadro clinicamente saudável; procedimento adiado sem prejuízos; a ciência do paciente quanto ao retorno do atendimento em nova data futura.

Atendimento de urgência e emergência

Sem dúvida, o oftalmologista precisa adotar algumas medidas de segurança nas consultas emergenciais, como:

Uso de máscaras, óculos e luvas descartáveis;

Higienização completa da clínica, especialmente de maçanetas, banheiros e material de atendimento;

Fornecer material necessário de EPI’s para uso próprio e dos colaboradores;

Comunicar o não atendimento de pessoas que apresentem os sintomas de Covid-19 ou que tenham testado positivo durante o período de 14 dias.

Alerta CBO – Coronavírus

Além disso, a entidade também divulgou um outro protocolo com mais orientações para minimizar a propagação e garantir a higienização dos ambientes e equipamentos. Isso porque estudos apontam que o vírus pode ser transmitido em contato com a conjuntiva. Ao mesmo tempo, alguns pacientes testados positivo para Covid-19 apresentaram conjuntivite folicular leve.

Em seguida, veja mais recomendações do CBO para os consultórios oftalmológicos:

Em caso de emergência, atenda um paciente por vez para manter a sala de espera o mais vazia possível;

Adote barreiras de lâmpadas de fenda e protetores respiratórios para proteção adicional;

Faça a limpeza cuidadosa do equipamento entre os atendimentos de pacientes;

Para diminuir ainda mais o risco de qualquer transmissão de vírus, informe os pacientes que falará o mínimo possível durante o exame com lâmpada de fenda e solicitar que ele também não converse;

Salas e instrumentos devem ser completamente desinfetados após cada atendimento;

Use luvas descartáveis ao limpar e desinfetar superfícies;

As lâmpadas de fenda, incluindo controles e protetores respiratórios, devem ser desinfetadas, principalmente onde os pacientes colocaram as mãos e o rosto.

Conclusão

De fato, os oftalmologistas devem ser rigorosos na adoção de medidas de segurança contra o novo coronavírus. Isso inclui a suspensão de procedimentos eletivos e, em casos de atendimentos emergenciais, o uso de máscara, óculos e luvas descartáveis e a rigorosa higienização de todo o consultório, dentre outras ações.

As recomendações do CBO seguem as demais orientações feitas por diversas entidades médicas de todo mundo, inclusive da Academia Americana de Oftalmologia.

A Academia Americana de Oftalmologia (AAO), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Mineira de Oftalmologia julgam importante compartilhar informações  específicas  relacionadas à Oftalmologia com o novo coronavírus, referida como a síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2), o qual foi previamente conhecido pelo nome provisório 2019-nCoV. Este vírus, altamente contagioso, pode causar uma doença respiratória grave conhecida como COVID-19.

O que você precisa saber:

Vários relatórios sugerem que o vírus pode provocar uma conjuntivite folicular leve indistinguível de outras causas virais, e, possivelmente, ser transmitido por contato do aerossol com a conjuntiva.

Pacientes que se apresentam ao oftalmologista com conjuntivite e que também têm febre e sintomas respiratórios, incluindo tosse e falta de ar, e que recentemente viajaram internacionalmente ou em aglomerados nos Estados Unidos, ou têm familiares ou contatos próximos com COVID-19, podem ser infectados com SARS-CoV-2. Em regiões com elevada prevalência de COVID-19, praticamente qualquer paciente visto por um oftalmologista pode ser infectado com SARS-CoV-2, independentemente de fatores de risco ou indicação para a consulta.

Recomendam-se proteção para a boca , nariz e olhos ao cuidar de pacientes potencialmente infectados com SARS-CoV-2.

O vírus que causa COVID-19 é muito provável suscetíveis aos mesmos desinfetantes álcool e à base de água sanitária que os oftalmologistas normalmente usam para desinfetar instrumentos oftalmológicos e mobiliário de consultório. Para prevenir a transmissão da SARS-CoV-2, as mesmas práticas de desinfecção (Limpe e desinfete superfícies de alto contato diariamente em áreas comuns da casa (por exemplo, mesas, cadeiras com encosto alto, maçanetas, interruptores de luz, telefones,celulares, tablets, telas sensíveis ao toque, controles remotos, teclados, alças, mesas, banheiros, pias) já utilizadas para impedir a propagação no consultório baseado em outros patógenos virais são recomendados antes e depois de cada encontro com o paciente.

Vírus

O SARS-CoV-2 é um vírus envelopado de RNA de cadeia simples que causa COVID-19. Embora o vírus não aparece tão susceptível de causar mortes como o coronavus SARS ou MERS coronavírus, é altamente transmissível e tem uma taxa de mortalidade significativa, especialmente em idosos e aqueles com co-morbidades, tal como a supressão imune, doenças respiratórias e diabetes mellitus. Um número significativo de mortes globais têm ocorrido, e o impacto já está sendo sentida em todo o mundo.

Os pacientes geralmente apresentam doenças respiratórias, incluindo febre, tosse e falta de ar; diarreia é comum no início da infecção, e conjuntivite também foi relatada. Outros sintomas específicos menos incluem dor de cabeça, dor nos olhos e fadiga. Complicações em casos graves incluem pneumonia, insuficiência renal, cardiomiopatia e encefalopatia. Os sintomas podem aparecer entre 2 dias até 14 dias após a exposição.  Constatou-se que o período de incubação significativo para a SARS-CoV-2 foi de 5 a 7 dias. Mais de 97% das pessoas que desenvolveram sintomas o fizeram dentro de 11,5 dias de exposição, achados que apoiam ainda mais as recomendações atuais de quarentena de 14 dias.

Protocolos recomendados atualizados ao agendar ou ao atender pacientes

Se a configuração do consultório permitir, os pacientes que chegarem a uma consulta devem ser solicitados antes de entrar na sala de espera sobre febre e doenças respiratórias e se eles ou um membro da família tiveram contato com outra pessoa com COVID-19 confirmado nos últimos 2 a 14 dias. Se eles responderem sim a qualquer uma das perguntas, devem ser enviados para casa e instruídos a falar com seu médico de cuidados primários.

Mantenha a sala de espera o mais vazia possível, aconselhe os pacientes sentados a permanecerem pelo menos 1 metro um do outro. Por mais prudente que seja, reduza as visitas dos pacientes mais vulneráveis.

O uso de barreiras de lâmpadas de fenda ou protetores respiratórios disponíveis no mercado é incentivado, pois eles podem fornecer uma medida de proteção adicional contra o vírus. Essas barreiras, no entanto, não impedem a contaminação de equipamentos e superfícies do lado do paciente, que podem ser tocados pela equipe e outros pacientes e levar à transmissão. Barreiras caseiras podem ser mais difíceis de esterilizar e podem ser uma fonte de contaminação. Em geral, as barreiras não substituem a limpeza cuidadosa do equipamento entre os pacientes; e pedir aos pacientes que tossem, espirram ou têm sintomas de gripe para usar máscaras durante o exame.

Para diminuir ainda mais o risco de qualquer transmissão do vírus, os oftalmologistas devem informar seus pacientes que falarão o mínimo possível durante o exame com lâmpada de fenda e solicitar que o paciente também se abstenha de falar.

Para procedimentos em consultório que exijam proximidade física próxima do paciente (por exemplo, injeção intravítrea, tarsorrafia lateral), recomendamos que o paciente use uma máscara cirúrgica ou uma cobertura de pano se houver máscaras cirúrgicas e que o cirurgião use uma máscara cirúrgica e proteção ocular. Em regiões com alta prevalência de COVID-19, uma máscara N95 para o cirurgião pode ser considerada quando disponível. As recomendações do CDC sobre o uso prolongado e/ou reutilização do N95 devem ser seguidas.

Neste mês é celebrado o ‘Abril Marrom’, quando se comemora o Dia Nacional do Braille. O objetivo é alertar sobre os fatores que contribuem para a perda de visão. Estima-se que 1,5 milhão de pessoas no Brasil sejam cegas e que 75% dos casos no mundo possam ser evitados ou curados (CBO, 2019).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 75% dos casos de cegueira são evitáveis e/ou tratáveis. Isso significa que muitos brasileiros que são cegos poderiam estar enxergando se tivessem recebido tratamento adequado e em tempo hábil.

 Segundo o presidente da Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), Luiz Carlos Molinari, a atenção com a saúde ocular deve acontecer durante todas as fases da vida, desde a gestação, com o pré-natal, os cuidados do recém-nascido (incluindo infecções congênitas, conjuntivites), infância (estrabismo, erros de refração-miopia, hipermetropia, astigmatismo), passando pela vida adulta até a velhice.

Ele explica que alguns problemas demandam maior atenção, como usuários de lentes de contato; pacientes que passaram por cirurgia refrativa; portadores de miopia;  glaucoma de difícil controle; portadores de retinopatia diabética-pacientes com diabetes têm 40% de chances de ter glaucoma, e 60% de desenvolver catarata; e pacientes com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que é uma perda progressiva da visão central, e a catarata,condição comum que ocorre com o envelhecimento. “Nesses casos, as consultas com o oftalmologista devem ser regulares, para acompanhamento, e não  apenas visitas anuais. É possível prevenir e tratar muitas enfermidades, e quando o cuidado é iniciado precocemente, as chances são ainda maiores”, orienta Molinari.

Outras doenças podem ser diagnosticadas e tratadas através do exame  ocular: hipertensão arterial,tumores, disfunções da tireoide, hanseníase, tuberculose, toxoplasmose, doenças reumáticas, AIDS, lúpus, além das citadas acima.

O especialista também alerta a população para o cuidado necessário com as terapêuticas oferecidas no mercado, que prometem a cura de doenças oftalmológicas por meio de métodos duvidosos, além da atuação de profissionais não médicos no cuidado da visão. Ele reforça “a importância dos oftalmologistas para: diagnosticar, prescrever tratamento, acompanhar e orientar adequadamente o paciente quanto às suas necessidades oculares”.

Molinari diz que é essencial que as pessoas entendam o que pode levar à perda de visão e, assim, adotar hábitos de vida saudáveis que só trarão benefícios à sua saúde.

O que você pode fazer para evitar problemas oculares:

Alimentação: balanceada e adequada à sua rotina, incluindo alguns desses alimentos nas refeições e nos lanches: frutas vermelhas e cítricas, cenouras, folhas verdes, ovos, e peixes ajuda a evitar problemas na visão.

Não fume. O tabagismo contribui para uveítes, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), síndrome do olho  seco, catarata, etc.

Exposição à luz solar, somente com proteção. Uso de bonés,  de óculos de sol com proteção anti-UVA/UVB   deve ser adotado já na primeira infância. Os raios UVA e UVB são cumulativos e podem levar ao câncer da membrana mucosa e transparente, a conjuntiva, que reveste e protege o globo ocular, além de seu  espessamento vascularizado  e fibrose (pterígio) e, ainda, inflamação da córnea,  catarata, degeneração do vítreo e  queimadura da retina com deterioração da visão central.

Evite o uso excessivo de celulares, tablets e computadores, pois eles reduzem a produção de lágrimas (olho seco) e alteram o foco.  O uso mais constante da visão de perto pelas crianças tem aumentado a prevalência da miopia.

Evite colírios contendo vasoconstritor ou corticoide sem indicação médica.

Use protetores  para evitar traumas oculares nas tarefas domésticas e no trabalho e reforce o cuidado com as crianças, pois os acidentes são mais frequentes no domicílio. 

O sono adequado pode combater a fadiga ocular, que leva a  irritação nos olhos, dificuldade de acomodação,olho seco ou lacrimejamento, visão turva e sensibilidade à luz. Procure dormir por sete horas e em ambiente com nenhuma ou baixa luminosidade.

Sempre que necessário, agende uma consulta com o médico oftalmologista.

Belo Horizonte, 17 de março de 2020.

Aos Chefes e Coordenadores de Residências e Cursos de Especialização em Oftalmologia

Prezados senhores,

A Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), já há 5 anos, vem realizando o Curso de Ciências Básicas em Oftalmologia na Associação Médica de Minas Gerais, sempre com o prestígio e presença de várias residências e especializações.

Desde o ano passado, conforme todos sabem, nosso curso de três semanas vem sendo cuidadosamente preparado para ser realizado dos dias 16 de Março a 03 de Abril, com participação de mais de 25 professores e cerca de 34 alunos.

Entretanto, algo urgente tomou o primeiro plano de forma inusitada, exatamente nos dias do início do curso: a pandemia pelo COVID-19. Tentamos organizar o curso de modo a ser possível sua realização com segurança. Vale ressaltar que o curso funcionou de forma harmônica e segura, com conforto, espaço amplo, e todos os cuidados indicados, por dois dias inteiros,16 e 17 de março, segunda e terça –feira desta semana. Após reflexão com diversos colegas e coordenadores chegamos à conclusão que o mais prudente e seguro, para residentes, professores e a população em geral, seria a suspensão das aulas presenciais. Essa é a determinação também dos órgãos de saúde municipais, estaduais e federais, assim como da própria Associação Médica de Minas Gerais que cancelou todos os seus eventos. Como médicos, compreendemos que o isolamento é o meio mais eficaz de contenção da epidemia e precisamos enfrentar a realidade principalmente em tão grave e imprevisto caso de calamidade pública na que estamos entrando. Diversos Congressos, Simpósios e Cursos de Ciências Básicas foram sumariamente cancelados nas últimas semanas.

Sabemos que o curso é relevante para os residentes do primeiro ano, e imprescindível para que todas as residências e especializações tenham seus alunos preparados com as primeiras noções, para adentrar na Oftalmologia. Abordamos um panorama das ciências básicas que compõem a sustentação da  Oftalmologia como um todo, com experientes professores, que também são preceptores de ensino. A primeira possibilidade seriamente aventada e possível seria a interrupção completa das aulas. A remarcação para meses à frente como Junho ou Julho seria complexa, além de alterar a sequência natural do curso, e  por vários motivos,  atrasaria completamente o cronograma das residências.

Diante disso, visando mitigar os efeitos imprevistos dessa pandemia, temos discutido com diversos colegas para encontrar uma solução viável e urgente. Embora com tempo exíguo e diversas restrições, avaliamos a aquisição auxiliar da plataforma de ensino da Associação Médica, o workplace. Dessa maneira, conseguiríamos gravar aulas da maioria dos professores e disponibilizá-las apenas para nossos alunos, em EAD, mediante senha em tempo próprio. Embora precisemos avaliar a viabilidade real de tal opção imediata (tempo, custos, qualidade, etc), seria uma maneira de manter esse estudo minimamente viável durante o tempo reservado pelos nossos alunos abordando ao menos uma visão panorâmica da especialidade.

Gostaríamos da avaliação dos Coordenadores o mais rápido possível sobre as opções aventadas, até mesmo para tranquilizar os alunos, e tentarmos, em esforço coletivo da Coordenação de Ensino da SMO e de nossos professores, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance,  e em tempo hábil, para o que o aprendizado deste momento tão crucial, não sofra solução de continuidade. Pretende-se com isso que através deste curso, já uma tradição de nossa SMO, que vem atravessando a esfera estadual, seja realmente uma das armas para o sustentáculo da formação com qualidade  de nosso futuro oftalmologista. Esperamos ouvir de vocês, reforçamos, em tempo hábil, anuência ao nosso plano de contingência, em face do imprevisto.

Desde já, agradecemos a grande atenção e apoio.

Atenciosamente,

Comissão de Ensino da Sociedade Mineira de Oftalmologia

É com imensa satisfação que anunciamos a inauguração do novo site da Sociedade Mineira de Oftalmologia – SMO! Este será um espaço dedicado à promoção de nossas ações e da Oftalmologia em geral, contando também com um Blog para divulgação de artigos, publicações, notícias e eventos sobre a área. Seja bem-vindo!

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