Dia Mundial da Saúde Ocular: um alerta para os cuidados com a visão

Dia Mundial da Saúde Ocular é comemorado anualmente em 10 de julho.

Para se  ter uma visão saudável é importante cultivar alguns hábitos para que os olhos – órgãos tão sensíveis e que estão sempre expostos ao contato natural, físico ou cosmético, se mantenham com saúde.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 50 milhões de brasileiros sofrem algum tipo de distúrbio da visão. Deste número, 60% dos casos são de cegueira e deficiência visual. Porém, se fossem tratados com antecedência, poderiam ter sido evitados.

A data é um bom momento para relembrar diferentes aspectos da saúde dos olhos. Neste dia, é importante falar sobre as doenças da visão, sobre prevenção e tratamento e sobre os cuidados diários. A data é ainda oportunidade para chamar a atenção de todos para os desafios de acesso à saúde ocular pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Grande parte das doenças da visão têm cura ou tratamento quando diagnosticadas precocemente. É possível evitar a perda de visão em muitos casos. Para isso é fundamental ir ao oftalmologista uma vez ao ano, mesmo sem apresentar sintomas, pois há doenças silenciosas que só o oftalmologista pode detectar. Cuidar da saúde ocular é tão importante que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 75% dos casos de deficiência visual poderiam ser evitados com prevenção ou tratamento.

A visão é um dos mais importantes meios de comunicação com o ambiente pois, cerca de 80% das informações que recebemos são obtidas por seu intermédio. Os olhos merecem atenção especial, que inclui visitas regulares ao oftalmologista para medição da acuidade visual e detecção precoce de quaisquer outras alterações que requeiram tratamento médico como forma de prevenir complicações que possam levar à cegueira. Doenças como hipertensão e diabetes podem provocar o aparecimento de sintomas oculares e requerem acompanhamento constante.

As principais causas de cegueira em adultos são a catarata, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade e a retinopatia diabética. Já entre as crianças, os maiores causadores da perda de visão são: infecções congênitas, catarata congênita, retinopatia da prematuridade e glaucoma congênito.

Estima-se que apenas o glaucoma atinja cerca de um milhão de pessoas no Brasil. Quando não tratado e diagnosticado a tempo, leva à cegueira irreversível. Para as pessoas que possuem histórico de glaucoma na família, o exame preventivo é imprescindível, já que apresentam mais chances de desenvolver a doença. Também fazem parte do grupo de risco os portadores de diabetes, os míopes e hipermétropes, os maiores de 60 anos, e negros, principalmente com mais de 40 anos de idade.

Já a catarata é responsável por 51% dos casos de cegueira no mundo, o que representa 20 milhões de pessoas, de acordo com a OMS. Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), surgem cerca de 550 mil novos casos no Brasil por ano.

A catarata é uma lesão ocular que atinge e torna opaco o cristalino. Entre os sintomas estão: sensação de visão embaçada ou com névoa, sensibilidade à luz e alteração da visão de cores. Com a progressão da doença, as pessoas poderão enxergar apenas vultos. Ficar longas horas exposto ao sol pode possibilitar a progressão da catarata, além de outros problemas oculares. Por isso, o uso de óculos com proteção solar ultravioleta A e B, mesmo por crianças é fundamental.

É importante também chamar a atenção para a prevenção da cegueira na infância. O glaucoma congênito e a catarata congênita são as principais causas da perda de visão em crianças. Um pré-natal adequado e o teste do olhinho são imprescindíveis.

De acordo com a OMS, a prestação de serviços eficazes e acessíveis de saúde ocular é a chave para controlar a deficiência visual, incluindo cegueira, e deve-se dar preferência ao reforço dos serviços de cuidados com a visão através da sua integração no sistema de saúde.

Principais doenças oculares:

  • Conjuntivite aguda bacteriana: é reconhecida pela vermelhidão, secreção aquosa, mucosa ou purulenta. Recomendações: fazer lavagens e limpeza local frequentes com soro fisiológico ou água filtrada fervida. Se não houver melhora em dois ou três dias, procurar um oftalmologista;
  • Conjuntivite aguda viral: é reconhecida pela vermelhidão, lacrimejamento e pouca ou nenhuma secreção; às vezes pode ocorrer hemorragia. Se não houver melhora em uma a três semanas, deve-se procurar um oftalmologista;
  • Tracoma: é uma conjuntivite crônica, reconhecida por vermelhidão ocular, que pode levar à cegueira. Deve ser tratada por oftalmologista;
  • Catarata: é a opacificação do olho (cristalino). É reconhecida pela alteração de cor da pupila, que pode variar entre o cinza e o branco. Acarreta a perda gradativa da acuidade visual, porém sem dor. Deve ser tratada por meio de cirurgia pelo médico oftalmologista;
  • Glaucoma: é o aumento da pressão intraocular. Deve ser diagnosticada e tratada pelo oftalmologista.

E ainda a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade.

Medidas de proteção para os olhos:

  • evitar coçar os olhos;
  • cuidados com a maquiagem: remover os produtos de beleza dos olhos antes de dormir; não usar produtos fora do prazo de validade; não usar produtos de outra pessoa; usar produtos antialérgicos e sem conservantes;
  • verificar regularmente o nível de glicose no sangue para evitar problemas oculares provocados pela diabetes;
  • ao menos uma vez por dia, higienizar a área em volta dos olhos, como pálpebras, cílios e cantos, para remover impurezas e secreções secas evita coceira, irritação ou até conjuntivite;
  • piscar com mais frequência e fazendo pausas repetidas lubrifica as córneas, evita o ressecamento dos olhos, descansa a vista e auxilia no combate à chamada síndrome da visão de computador;
  • usar protetor ocular sempre que houver risco de algo atingir seus olhos;
  • lavar os olhos com bastante água limpa se neles cair qualquer substância;
  • usar óculos ou lentes de contato apenas quando prescritos por médico oftalmologista;
  • antes de colocar ou ao tirar as lentes de contato, lavar bem as mãos e higienizar as lentes com produtos indicados pelo fabricante. O estojo onde as lentes são guardadas também deve estar sempre limpo;
  • utilizar óculos escuros em ambientes com claridade excessiva;
  • consumir mais peixe: o alimento é rico em ômega 3 e contém vitaminas A, B,D e E, essenciais para a saúde;
  • não fumar, praticar exercícios físicos, manter o peso adequado e uma boa alimentação, são atitudes saudáveis inclusive para os olhos;
  • visitar regularmente o médico oftalmologista para fazer exames preventivos!

 

Fontes:

Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)
Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria (CBOO)
Instituto Brasileiro de Assistência e Pesquisa (IBAP)
Ministério da Saúde e Confederação Nacional dos Transportes. Saúde ocular (folder impresso).
Ministério da Saúde. Informações básicas para a promoção da saúde ocular (folheto impresso).
Ottaiano, José Augusto Alves; ÁVILA, Marcos Pereira de; UMBELINO, Cristiano Caixeta; TALEB, Alexandre Chater. As Condições de Saúde Ocular no Brasil: 2019


 

Confira abaixo a edição especial do Dia Mundial da Saúde Ocular do podcast SMO Talks, realizado em parceria com a Associação Médica de Minas Gerais

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cada 100.000 pessoas no mundo, de 4 a 600 delas desenvolvem o ceratocone. Também conhecido como distrofia contínua e progressiva, o ceratocone é uma doença que afeta a córnea, parte transparente do olho, deixando-a mais fina e menos resistente. Com a pressão intraocular constante sobre ela, ocorre uma modificação na sua espessura e formato, que adquire uma aparência “pontiaguda”.

Sua maior incidência ocorre na adolescência, entre os 13 e 18 anos de idade. Em geral, afeta em 90% dos casos ambos os olhos, tanto em homens como mulheres. A doença progride aproximadamente de seis a oito anos e, depois, tende a permanecer estável.

Entre os sintomas estão: fotofobia, irritações, ofuscamento, embaçamento e/ou distorções moderadas. Na maioria dos casos, as pessoas não percebem que possuem a doença, pois esta aparece disfarçadamente, sendo, por vezes, comumente confundida com miopia ou astigmatismo.

Ainda não se sabe a causa da doença, mas acredita-se que seja de origem hereditária e que seja resultado de diferentes condições clínicas. Desta forma, os filhos de portadores do ceratocone devem ficar mais atentos. Além disso, segundo estudos, ela pode estar associada a patologias sistêmicas como as síndromes de Down, Turner, Ehlers-Danlos e Marfan.

Como diagnosticar o ceratocone?

Em caso de suspeita da doença, o diagnóstico é feito por meio do exame oftalmológico e confirmado pela Topografia Corneana Computadorizada – exame que faz um estudo topográfico de superfície da córnea, ou seja, um retrato mais apurado da córnea. E permite obter informações quantitativas e qualitativas a seu respeito por meio de um gráfico numérico e de cores. Vale lembrar que o diagnóstico precoce da doença não impede que a mesma evolua, porém quanto mais cedo o ceratocone for identificado, melhor será o resultado do tratamento. Por isso, é fundamental que se realize consultas oftalmológicas periodicamente.

Tratamento

Infelizmente, o ceratocone não tem cura. Porém existe uma série de tratamentos disponíveis para melhorar a visão do portador da doença, estabilizando o problema e reduzindo as deformidades da córnea. O tratamento adotado depende da evolução do caso. Na maioria das situações, o problema é solucionado por meio da adoção de óculos, lentes de contato ou cirurgia. Segundo estatísticas, apenas 10% dos casos evoluem para transplante de córnea.

Conheça um pouco mais sobre as principais formas de tratamentos

Óculos: Em casos mais brandos, inicialmente, o tratamento é feito com a adoção de óculos, por meio da adaptação de lentes corretivas para melhorar a visão do paciente.

Lentes de contato: O uso das lentes de contato representa, depois dos óculos, a primeira opção para a recuperação visual, uma vez que substituem a superfície irregular da córnea por uma regular, melhorando assim a percepção das imagens. Este tratamento pode ser feito tanto nos casos iniciais quanto nos mais graves da doença.

A indicação do modelo de lente a ser usado é feita pelo oftalmologista, que analisa o desenho mais apropriado para o estágio da doença do paciente. As lentes devem ser limpas e desinfetadas a cada uso e, a cada seis meses, o usuário deve voltar ao oftalmologista para fazer uma avaliação da sua adaptação. Fique atento, lentes mal adaptadas podem favorecer a progressão do ceratocone e/ou causar perdas de transparência na córnea.

Cross-linking: É um tratamento por meio do qual se expõe a córnea a uma combinação de radiação ultravioleta (UV-A) e vitamina B2, produzindo um aumento nas ligações entre as fibras de colágeno, fortalecendo toda a estrutura da córnea. É indicado para pessoas que apresentam boa visão com uso de óculos ou lentes de contato, com o ceratocone não muito avançado e que tenham apresentado evolução da doença. A função deste tratamento não é reduzir o ceratocone, mas parar a evolução, evitando a progressão da mesma, ocasionando a sua estabilização.

Anel intracorneal ou cirurgia de ceratocone: Indicado no estágio moderado do ceratocone, corresponde ao implante cirúrgico de anéis ultrafinos, que funcionam como um esqueleto que remodela e diminui a curvatura da córnea, tornando a sua superfície mais regular. Os mais utilizados são os Anéis Intraestromais. Trata-se de uma técnica reversível, sem danos à córnea e não refrativa, ou seja, após o procedimento os pacientes continuarão precisando usar óculos ou lentes de contato para melhor qualidade visual.

Transplante de Córnea: Indicado apenas como último recurso, em pacientes que apresentam ceratocones em estágios avançados, o transplante de córnea consiste na substituição de toda (transplante penetrante) ou de parte (transplante lamelar ou endotelial) da córnea. Apenas uma minoria dos portadores da doença necessita fazer o transplante, que embora tenha uma recuperação mais lenta se comparada aos outros tratamentos, oferece uma importante melhora no quadro. A cirurgia é realizada com anestesia geral, sedação ou anestesia local – dependendo da condição clínica – e o paciente recebe alta no mesmo dia.

Fonte: CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia

Na próxima segunda-feira, 27 de junho, às 19h30, a Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO) realiza mais uma edição do SMO TALKS! O evento conta com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).

Falaremos sobre “O dia a dia do Conselho Brasileiro de Oftalmologia“, e contaremos com a participação dos doutores Cristiano Caixeta (Presidente do CBO), Elisabeto Ribeiro Gonçalves, Homero Gusmão de Almeida e dos Diretores da SMO, João Neves de Medeiros e Luiz Carlos Molinari.

O evento é aberto a toda comunidade médica e será transmitido ao vivo através da plataforma ZOOM.  Participe através do LINK. Não perca!


Confira como foi:

Luiz Carlos Molinari, Oftalmologista e Diretor da SMO, concedeu entrevista à Rádio Itatiaia FM 95,7 explicando sobre o Glaucoma. Clique nos links abaixo e confira!

 

 

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) realizou reunião com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) para expor aos gestores e técnicos do Sistema Único de Saúde (SUS) os riscos da atuação de não médicos no terreno da saúde ocular no País. Para os oftalmologistas, esses indivíduos podem contribuir com o agravamento de problemas de visão ao oferecerem diagnósticos de doenças e prescrições de óculos e lentes de grau sem terem o preparo para essas atividades.

No encontro, realizado no dia 6 de maio, os representantes do CBO também delinearam aos membros do Conass as restrições legais impostas aos não médicos e aos estabelecimentos comerciais que operam no segmento ótico. Com isso, ficou claro quais os limites de sua atuação. Durante a conversa, foram levantados questionamentos que motivaram o CBO a elaborar material elucidativo a ser amplamente divulgado entre os gestores.

Com o apoio do Conass, esse documento será distribuído às 27 Secretarias de Saúde de Estados e do Distrito Federal. No texto, serão apresentados de forma clara os argumentos e a fundamentação técnica, legal e ética, que limitam a atuação de não médicos no campo da saúde ocular. Dentre os pontos que terão destaque no trabalho, está o descritivo do conjunto de vedações impostas aos optometristas e às óticas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que exprimiu seu entendimento no julgamento da ADPF 131, em 2020.

Com essa estratégia, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, auxiliado pelo seu Departamento Jurídico, reforça suas ações em favor da Lei do Ato Médico, combate o exercício ilegal da Medicina e defende a saúde da população, apontando os efeitos deletérios de um atendimento inadequado e ressaltando a necessidade de que o médico especialista seja acionado para cuidar dos problemas causados por doenças que afetam o aparelho da visão.

Você é nosso convidado para o Webinar: Entendendo o Glaucoma, uma doença silenciosa que pode levar à cegueira. Dia 26 de maio (quinta-feira), às 19h30, pelo canal do YouTube da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG): https://www.youtube.com/user/sigaammg


Confira como foi:

Saiba mais sobre o Glaucoma no novo PodCast da AMMG, com o Diretor da Sociedade Mineira de Oftalmologia e da Associação Médica de Minas Gerais, Luiz Carlos Molinari. Clique e ouça: https://4et.us/rc6yv4

 

Na próxima quinta-feira, 28 de abril, às 19h30, a Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO) realiza mais uma edição do SMO TALKS! O evento conta com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).

O tema em discussão será “Urgências em Oftalmologia“, e terá a participação dos Doutores José Aloisio Massote, Marcus Vinícius Souza e Luis Felipe Carneiro, e mediação do Diretor da SMO, Luiz Carlos Molinari.

O evento é aberto a toda comunidade médica e será transmitido ao vivo através da plataforma ZOOM.  Participe através do LINK. Não perca!

 


Confira como foi:

 

Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), realiza no dia 17 de março, quinta-feira, às 19h30, a segunda edição de 2022 do SMO TALKS!

O tema do evento será “Cirurgia de troca de cristalino com finalidade refrativa“. Teremos a participação de José Beniz Neto (Ex-presidente do CBO), Fernando Trindade (Ex-Presidente da SBCII), e dos Diretores da SMO, Luiz Carlos Molinari (Secretário) e Wesley Moreira (Tesoureiro).

O evento é aberto a toda comunidade médica e será transmitido ao vivo através da plataforma ZOOM.  Participe através do LINK. Não perca!

 


Confira como foi:

 

As inscrições para a VII edição do Curso de Ciências Básicas em Oftalmologia já estão abertas!

O Curso será realizado do dia 14 de março a 1º de abril, com um total de 20 módulos (+ de 80 horas/aula). Os alunos poderão participar de discussões online semanais de casos clínicos ao vivo, contato direto com mentores para dúvidas, avaliações ao fim de cada módulo e acesso ao conteúdo por 3 meses.

Faça sua inscrição até o dia 14 de março através do LINK.

Investimento:

Residentes e Oftalmologistas (com comprovação): R$1.500,00

Acadêmicos de Medicina (com comprovação): R$700,00

Acadêmicos associados SAMMG e ABLAO (com comprovação): R$400,00

Dúvidas ou mais informações: sociedademineiradeoftalmologia@gmail.com

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