SMO Talks #4: Luciene Chaves, Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal

No episódio #4 do Podcast SMO Talks,  vamos conversar com a Doutora Luciene Chaves, associada da SMO e Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal, e conhecer melhor as suas particularidades. Ela vai dar dicas para os médicos residentes, vai falar sobre a sua carreira médica, suas viagens e muito mais! Não deixem de acompanhar até o final!

De acordo com levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o final de 2021, pelo menos 35% da população mundial terá miopia. A estimativa dos especialistas na área da saúde, que já tratam a miopia como epidemia, é que avance e atinja mais da metade (52%) da população mundial em 2050.

O confinamento estrito para tentar evitar a propagação do novo coronavírus fez com que, por vários meses de 2020, crianças ao redor do mundo parassem de ir à escola e ao parque para brincar com os amigos como faziam antes da pandemia. Uma das consequências silenciosas desse isolamento obrigatório foi o aumento da miopia em menores. Pesquisas recentes de diferentes universidades da China, Canadá e América Latina evidenciam que o principal motivo do crescimento desta condição no último ano foi a falta de luz solar.

Os raios solares liberam dopamina na retina, uma substância que impede o globo ocular de ficar mais comprido e ajuda a prevenir o aumento da miopia.

Se as crianças não saem de casa e não recebem luz solar, seu corpo não gera esse neurotransmissor, e a doença é desencadeada.A luz artificial não substitui os raios do sol na geração da dopamina.

Esses e outros detalhes sobre a doença serão discutidos no dia 14 de julho de 2021, a partir de 19:30 hrs, em nosso evento “Novas tendências e estudos no controle da Miopia”. Participe desta troca de ideias conosco. A SMO está sempre presente no dia-a-dia do oftalmologista. O link do evento será disponibilizado em breve. Esperamos vocês!

Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), com o apoio da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), realizou no dia 10/06/2021 mais uma edição do SMO Talks.

O tema desta edição foi “Os desafios da Educação Médica” e contou a participação de:

  • Cristina Alvim – Pediatria UFMG
  • Jose Maria Peixoto – Cardiologia Unifenas-BH
  • Gustavo Raimondi – Saúde Coletiva UFU/Abem MG

O mediador do debate foi o Diretor da SMO, Luiz Carlos Molinari (Medicina UFMG).

Confira como foi:

Nossa conversa do episódio #3 do Podcast SMO Talks é com Doutor Mansur Ticly, médico oftalmologista na cidade de Lavras – MG. Ele vai contar sobre suas particularidades, suas viagens, sua família e sobre a sua vida profissional.

Com esse episódio você vai aprender muitas lições. Escute até o final através do link e fique por dentro de tudo!

Um bate-papo descontraído com grandes nomes da Oftalmologia mineira e brasileira.

Por aqui, falamos não somente de Oftalmologia, mas também de música, arte, poesia, política, ciência e medicina, focado na história dos nossos convidados.

No primeiro episódio, tivemos a ilustre participação do Dr. Elisabeto Ribeiro Gonçalves, o primeiro presidente da Sociedade Mineira de Oftalmologia. Acesse o link e confira!

Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), com o apoio da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), realizou no dia 12/05/2021 mais uma edição do SMO Talks.

O tema desta edição foi “Novos Desafios do Trabalho Médico” e contou a participação de Samuel Flam, presidente da UnimedBH.

Confira como foi:

No dia sete de maio são comemorados o “Dia Nacional da Saúde Ocular” e o “Dia do Oftalmologista”. A Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO) faz nesta data, às 20h, o SMO Talks Especial Dia do Oftalmologista com o tema “Transformações do Mercado Oftalmológico“, aberto aos profissionais médicos para celebrar as datas e falar um pouco sobre o que o jovem médico e os oftalmologistas em geral devem saber sobre os principais desafios na carreira, sobretudo, para quem está começando.

Com as fusões e aquisições no setor de saúde, o que esperar para os próximos anos e quais as perspectivas para quem entra agora em um mercado extremamente competitivo? Participam do encontro João Neves, Breno Mello, presidente e vice-presidente da SMO, respectivamente; Frederico Pena, presidente da Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia (SBAO) e Valério Ribeiro, assessor jurídico da SMO. O evento será realizado através da plataforma ZOOM. Para participar, basta acessar o link.

Segundo o secretário geral da SMO, Luiz Carlos Molinari, a atenção com a saúde ocular deve acontecer durante todas as fases da vida. Tem início na gestação, nos cuidados com a mãe durante o pré-natal, e nos recém-nascidos submetidos ao teste do olhinho, capaz de detectar, ainda na maternidade, doenças como catarata e glaucoma congênitos, tumor e outros problemas oculares.

Até os 12 anos

Molinari orienta que a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista antes de completar um ano, para identificar problemas que possam impedir o desenvolvimento de uma visão de qualidade, e prevenir a cegueira infantil. “Os erros de refração, assim como o estrabismo, devem ser diagnosticados o mais precocemente possível, propiciando a melhor visão com a correção óptica adequada, evitando o atraso do desenvolvimento e o olho preguiçoso (ambliopia). São indicados exames aos quatro e depois em torno dos seis anos, e antes da alfabetização, e aos oito anos, fase em que o olho humano completa o desenvolvimento funcional definitivo. Após estas etapas da infância as visitas ao especialista são anuais, ou a qualquer momento, caso haja queixas oculares.”

A partir dos 13 anos

Levando-se em conta que o olho também envelhece, dos 13 aos 20 anos de idade os problemas de refração são mais frequentes (miopia, hipermetropia e astigmatismo), assim como o ceratocone, comum neste período da vida. De acordo com Molinari, tais irregularidades visuais podem ser solucionadas com o uso de lentes corretoras, e até, nas idades adequadas e atendendo às indicações específicas, cirurgias personalizadas. Essas são as de correção de grau e as técnicas de contenção do desenvolvimento do ceratocone.

Aos 40 anos

Aos 40 anos, o oftalmologista é procurado para solucionar as dificuldades de visão de perto; a presbiopia, conhecida como “vista cansada”. É importante que neste período o paciente seja submetido a uma avaliação oftalmológica, e não adquira no comércio as lupas para leitura, pois pode haver um mascaramento de problemas oculares, como catarata, glaucoma e outras.

A partir dos 60 anos

Por volta dos 60 ou 65 anos podem surgir problemas com a perda da transparência do cristalino, ou catarata, um risco real de cegueira, reversível com o auxílio de cirurgia e implante de lente intraocular.

Cuidados especiais

Para o secretário geral da SMO, alguns problemas demandam maior atenção, como nos casos de pacientes usuários de lentes de contato, que passaram por cirurgia refrativa, como miopia, glaucoma de difícil controle e portadores de retinopatia diabética ou degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Nesses casos, as consultas com o oftalmologista devem ser frequentes, para acompanhamento, e não apenas anuais. “Destacamos que é possível prevenir e tratar muitas enfermidades, e quando o cuidado é iniciado precocemente as chances são ainda maiores. O exame é um ato médico e só deve ser realizado pelo oftalmologista.”

Molinari acrescenta que no dia a dia algumas medidas são simples e contribuem para evitar doenças oculares. “Mantenha os olhos sempre higienizados, utilize óculos de sol, bonés, chapéus, para proteger do vento e das ações de raios UVA e UVB e evite coçá-los com frequência. No caso de olho seco, o profissional pode indicar lubrificantes oculares, ou lágrimas artificiais adequadas. Evite automedicação, como colírios contendo corticoides, que podem aumentar a incidência de catarata ou glaucoma. Mediante qualquer queixa, como dor, sensação de areia, olhos vermelhos ou falhas na visão, procure um oftalmologista.”

Sabe aquele brilho vermelho, geralmente indesejado, que preenche as pupilas, vez ou outra em fotos? Ele é causado pelo reflexo de estruturas que existem no “fundo de olho”, como retina, cabeça do nervo óptico e, em menor escala, coróide. A inspeção de tais estruturas é o “exame de fundo de olho”.

A forma mais simples e tradicional, mas também a mais limitada, de examinar o fundo de olho é a observação a partir do Oftalmoscópio Direto. Eventualmente, Pediatras, Clínicos Gerais e Neurologistas também fazem uso deste instrumento.

Oftalmoscópio Direto.

Visualização, bem mais rica em detalhes, pode ser alcançada por meio da Oftalmoscopia Binocular Indireta e da Biomicroscopia de Fundo. Estas modalidades são complementares uma à outra, sendo realizadas exclusivamente por Oftalmologistas.

Formas de visualização do “Fundo de Olho”: A) Oftalmoscopia Binocular Indireta; B) Biomicroscopia de Fundo.

Muitas doenças oculares podem ser diagnosticadas, ou terem a evolução clínica supervisionada a partir do exame de fundo de olho, por exemplo: Degeneração Macular Relacionada à Idade, Descolamento de Retina ou Glaucoma, entre outras. O mesmo ocorre para manifestações oculares de doenças como Diabetes Mellitus ou Hipertensão Arterial.

A partir dos achados clínicos do exame de fundo de olho, exames específicos a cada caso podem ser solicitados.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

A Sociedade Mineira de Oftalmologia presta justa e comovida homenagem a um dos seus mais ilustres sócio e fundador, o Professor Christiano Barsante, falecido no dia 22 de março.

O Professor Christiano nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 1941 e graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberaba, em 1966.

A trajetória de vida do Professor Christiano Barsante foi uma coleção de sucessos, tanto no exercício profissional como no do magistério. Especializou-se em Oftalmologia pelo Curso Credenciado de Especialização em Oftalmologia da FMUFMG (Serviço do Professor Hilton Rocha, no Hospital São Geraldo), em 1970. Prestou concurso público em 1972 para Professor-Assistente da Cadeira de Oftalmologia da FMUFMG, exercendo o magistério durante esses últimos 50 anos.

Foi por duas vezes presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (gestão 1989/1990 e 2000/2001) e fundou em 07/09/77, junto com os professores Joviano Rezende Filho (Rio), Luiz Assumpção Osório (Porto Alegre), Francisco Mais (Campinas) e Sérgio Cunha (São Paulo), a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), atualmente uma das maiores sociedades temáticas filiada ao Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Fundou, associado ao Professor Hilton Rocha, Emyr Soares e Paulo Galvão, o Instituto Hilton Rocha (1979) e a Fundação Hilton Rocha (1983), dois marcos de excelência da prática, ensino e pesquisa da especialidade no país. Presidiu o Conselho Regional de Medicina da Minas Gerais por dois mandatos: 1989/1990 e 2000/2001.

Presença constante nos encontros da especialidade (Congressos, Simpósios, Mesas Redondas), escreveu de parceria com outros Colegas, os Temas Oficiais do Congresso Brasileiro de Of6talmologia de 1972 (Campinas) e o do Congresso do Rio de Janeiro (1983).

Teríamos ainda muito a registrar da vida profissional e acadêmica do Professor Christiano Barsante. Mas, por exiguidade de espaço, não podemos fazê-lo. Todavia, jamais poderíamos omitir a grande, inestimável e decisiva importância do Professor no desenvolvimento e prestígio da Vitreorretinolologia alcançados no Brasil, graças ao seu proficiente trabalho, à sua dedicação e seu invulgar talento. Ele deixa uma plêiade de alunos e vitreorretinologistas talentosos como ele, os quais, certamente, saberão eternizar na memória e no coração a lembrança do Mestre e amigo como bem poucos.

O Professor Christiano, além de tantas e tão meritórias qualidades humanas e profissionais, sempre foi um agregador e nunca se furtou e fazia questão de apontar e destacar a decisiva participação e contribuição dos vitreorretinologistas mineiros no crescimento, refinamento e prestígio da especialidade.

A SMO presta ao Professor Christiano Barsante essa justa homenagem em reconhecimento a sua grande e notável contribuição ao respeito que merecidamente desfruta a Oftalmologia mineira.

Elisabeto Ribeiro Gonçalves – Primeiro Presidente da SMO e Ex-Presidente do CBO

Os desafios impostos pela pandemia da Covid-19 à educação médica exigem novas estratégias pedagógicas para a formação de profissionais éticos, humanistas, críticos e reflexivos. Estas estratégias estão centradas no ensino remoto, utilizando plataformas digitais de educação a distância. Houve adaptações ao modelo EAD, conhecido como Ensino Remoto Emergencial (ERE). Neste, utiliza-se recursos online de modo não planejado, desconsiderando aspectos importantes da realidade de estudantes e professores, bem como aspectos pedagógicos e tecnológicos envolvidos. Há necessidade de envolvimento dos professores com o processo pedagógico, planejamento das atividades e a identificação de meios apropriados. Não há consenso sobre a inserção dos estudantes nas atividades práticas. Evidenciou-se a existência da educação a distância mesmo antes da pandemia e vinculação com a prática da telemedicina, e a necessidade de os currículos incluírem disciplinas de gerenciamento de pandemia com foco na saúde pública.

A educação médica baseia-se, essencialmente, nas habilidades de conhecimento, comportamento e comunicação, a ser desenvolvidos nos estudantes. O conhecimento e a aprendizagem profunda exigem, ativamente, a interação professor-aluno em ambiente propício, difíceis de cultivar sem a interação aluno-paciente em tempo real; o ensino didático em sala de aula, com apresentações e aprendizagem no leito têm sido amplamente substituídos pelas plataformas online, autodirigidas. Mas o contato direto do professor-aluno e o feedback bidirecional em tempo real são difíceis de replicar em fóruns online.

Identificaram-se omissões acerca das limitações e fragilidades dessa nova estratégia pedagógica: a falta de acesso universal e igualitário aos meios digitais, a desconsideração de realidades minoritárias e subdesenvolvidas e a desvalorização das relações interpessoais essenciais à formação médica. Embora este formato de ensino-aprendizagem não seja fácil para alunos com baixa motivação e de baixos estratos socioeconômicos, por falta de equipamentos e conectividade, a adaptação a essas novas mudanças na educação médica é o único caminho a seguir.

Envolver os alunos em telemedicina, desde triagem por telefone até visitas eletrônicas e de acompanhamento e consultas, pode ajudar a preencher a lacuna na educação médica e na interação paciente-aluno. Teleconferências e workshops virtuais não podem substituir o treinamento clínico prático, e essa forma totalmente nova de aprendizado pode servir como uma opção aceitável em tempos de pandemia.

As escolas médicas têm o dever de fornecer educação continuada e possibilitar a formação dos futuros médicos. O ensino virtual é eficaz e as instituições estão trabalhando para desenvolver ainda mais esses recursos, para melhorar o envolvimento e a interatividade dos alunos. No futuro, as faculdades de medicina deverão adotar uma abordagem mais holística para a educação, e considerar o impacto mental da Covid-19 sobre os alunos, bem como melhorar a segurança e a tecnologia das plataformas virtuais.

A pandemia trouxe ansiedade, um aumento dos compromissos de trabalho, com redução significativa no tempo de recuperação e impacto da doença nos colegas médicos e familiares, associados aos estressores econômicos, sociais, isolamento e pressões sociais. Os profissionais de saúde e estagiários foram desafiados cognitiva e emocionalmente pela morbidade e mortalidade ocorrendo em um curto e súbito período de tempo. Devemos estimular empatia e bem-estar emocional para todos, praticadas pelas instituições, programas patrocinadores e professores.

A Organização Mundial da Saúde observou que os profissionais de saúde têm um risco aumentado de problemas de saúde mental, não apenas devido ao sofrimento emocional do isolamento social, mas também devido à exposição à morte e à doença, à escassez de pessoal e de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s), e ao sofrimento moral no cuidado aos pacientes.

Há relatos de burnout, ansiedade, sensação de impotência, medo e tristeza. Investiu-se nas mentorias (e-mentoring), muito valorizadas pelos mentores e mentorandos, com um apelo muito forte na saúde mental. Os encontros têm acontecido entre os mentores, com bagagem teórica sólida, aliada a uma experiência prática extensa e bem sucedida na área que será debatida, e os alunos, mentorandos, que buscam novos conhecimentos e habilidades. Não há aulas expositivas, mas sim discussões horizontais, e os participantes expressam suas opiniões e questionam quais as melhores estratégias para resolução de problemas. As reflexões se impõem, estimuladas por vídeos de curta duração, podcasts,e outros. Este aprendizado ativo, baseado em problemas reais, aproxima teoria e prática. Embora os alunos se sintam substancialmente sobrecarregados e preocupados com o impacto da pandemia em seus estudos, parecem lidar bem com o formato do curso digital.

A motivação para estudar durante a pandemia da Covid-19 diminuiu entre a maioria dos alunos, o que deve ser abordado pelas escolas médicas interessadas em desenvolver intervenções eficazes, para apoiá-los na pandemia e no ensino online contínuo.

O peso total da carga de saúde mental sobre os profissionais de saúde e estagiários ainda não é conhecido, mas provavelmente será significativo.

 

*Artigo publicado por Luiz Carlos Molinari Gomes – Oftalmologista associado à SMO.

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