O avanço da miopia em crianças

De acordo com levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o final de 2021, pelo menos 35% da população mundial terá miopia. A estimativa dos especialistas na área da saúde, que já tratam a miopia como epidemia, é que avance e atinja mais da metade (52%) da população mundial em 2050.

O confinamento estrito para tentar evitar a propagação do novo coronavírus fez com que, por vários meses de 2020, crianças ao redor do mundo parassem de ir à escola e ao parque para brincar com os amigos como faziam antes da pandemia. Uma das consequências silenciosas desse isolamento obrigatório foi o aumento da miopia em menores. Pesquisas recentes de diferentes universidades da China, Canadá e América Latina evidenciam que o principal motivo do crescimento desta condição no último ano foi a falta de luz solar.

Os raios solares liberam dopamina na retina, uma substância que impede o globo ocular de ficar mais comprido e ajuda a prevenir o aumento da miopia.

Se as crianças não saem de casa e não recebem luz solar, seu corpo não gera esse neurotransmissor, e a doença é desencadeada.A luz artificial não substitui os raios do sol na geração da dopamina.

Esses e outros detalhes sobre a doença serão discutidos no dia 14 de julho de 2021, a partir de 19:30 hrs, em nosso evento “Novas tendências e estudos no controle da Miopia”. Participe desta troca de ideias conosco. A SMO está sempre presente no dia-a-dia do oftalmologista. O link do evento será disponibilizado em breve. Esperamos vocês!

Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), com o apoio da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), realizou no dia 10/06/2021 mais uma edição do SMO Talks.

O tema desta edição foi “Os desafios da Educação Médica” e contou a participação de:

  • Cristina Alvim – Pediatria UFMG
  • Jose Maria Peixoto – Cardiologia Unifenas-BH
  • Gustavo Raimondi – Saúde Coletiva UFU/Abem MG

O mediador do debate foi o Diretor da SMO, Luiz Carlos Molinari (Medicina UFMG).

Confira como foi:

Sabe aquele brilho vermelho, geralmente indesejado, que preenche as pupilas, vez ou outra em fotos? Ele é causado pelo reflexo de estruturas que existem no “fundo de olho”, como retina, cabeça do nervo óptico e, em menor escala, coróide. A inspeção de tais estruturas é o “exame de fundo de olho”.

A forma mais simples e tradicional, mas também a mais limitada, de examinar o fundo de olho é a observação a partir do Oftalmoscópio Direto. Eventualmente, Pediatras, Clínicos Gerais e Neurologistas também fazem uso deste instrumento.

Oftalmoscópio Direto.

Visualização, bem mais rica em detalhes, pode ser alcançada por meio da Oftalmoscopia Binocular Indireta e da Biomicroscopia de Fundo. Estas modalidades são complementares uma à outra, sendo realizadas exclusivamente por Oftalmologistas.

Formas de visualização do “Fundo de Olho”: A) Oftalmoscopia Binocular Indireta; B) Biomicroscopia de Fundo.

Muitas doenças oculares podem ser diagnosticadas, ou terem a evolução clínica supervisionada a partir do exame de fundo de olho, por exemplo: Degeneração Macular Relacionada à Idade, Descolamento de Retina ou Glaucoma, entre outras. O mesmo ocorre para manifestações oculares de doenças como Diabetes Mellitus ou Hipertensão Arterial.

A partir dos achados clínicos do exame de fundo de olho, exames específicos a cada caso podem ser solicitados.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

De 8 a 14 de março aconteceu a semana Mundial do Glaucoma. Oftalmologistas alertam sobre a doença que é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Ela é crônica, danifica o nervo ótico e envolve a perda de células da retina responsáveis por enviar os impulsos nervosos ao cérebro.

O diretor da Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), Luiz Carlos Molinari, explica que o Glaucoma é causado pela alta pressão ocular. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 10% dos casos de cegueira no mundo são ocasionados por esse mal. “O Glaucoma é silencioso, não apresenta sintomas. É preciso ficar atento e procurar um especialista se houver casos da doença na família.” De acordo com Molinari, é necessário desde cedo fazer um acompanhamento, uma vez que se não for tratado, pode levar à cegueira irreversível. Ele destaca ainda que, embora não se consiga afirmar exatamente por que uma pessoa desenvolve o glaucoma, estudos mostram que ele é mais frequente em pessoas:

  • idade avançada;
  • hipertensão arterial (pressão alta);
  • miopia elevada (graus muito altos de miopia);
  • histórico de glaucoma na família;
  • diabetes;
  • lesões oculares;
  • raça negra.

O glaucoma pode ser:

  • Congênito: presente no nascimento, os recém-nascidos apresentam globos oculares aumentados e córneas embaçadas;
  • Secundário: ocorre após cirurgia ocular, catarata avançada, uveítes, diabetes, traumas ou uso de corticoides;
  • Crônico: costuma atingir pessoas acima de 35 anos de idade. Uma das causas pode ser obstrução do escoamento de um líquido que existe dentro do olho chamado humor aquoso. No glaucoma crônico, os sintomas costumam aparecer em fase avançada, isto é, o paciente não nota a perda de visão até vivenciar a “visão tubular”, que ocorre quando há grande perda do campo visual (perda irreversível).

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, aproximadamente 3% da população brasileira acima de 40 anos apresentam Glaucoma. “Somente o exame cuidadoso dos olhos – o que inclui a aferição da pressão intraocular e o exame de fundo de olho, – realizado por um médico oftalmologista, é capaz de detectar o glaucoma. O tratamento é feito com uso regular de colírios. Em alguns casos, aplicações de laser ou mesmo cirurgias podem ser necessárias para deter o avanço da doença.”

O tratamento também vai variar conforme o tipo de Glaucoma, que pode ser de ângulo aberto ou fechado. O primeiro é mais comum e não costuma apresentar sintomas, além da perda gradativa da visão. Já o de ângulo fechado são casos mais raros e graves, que precisam de emergência médica e vêm acompanhados de dores oculares, náuseas e distúrbios da visão. Consulte seu oftalmologista periodicamente, e faça a prevenção do glaucoma. Molinari orienta que é preciso procurar o oftalmologista se apresentar:

  • dores nos olhos;
  • visão distorcida;
  • aureolas de arco-íris ao redor das luzes;
  • dor de cabeça, náusea e vômito.

 

Fonte: Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO) e Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

É bem provável que ao observar os olhos de alguém, com 50 anos ou mais, você tenha notado um halo claro circundando a parte colorida dos olhos, é o chamado Arco Senil. Formado pela deposição de colesterol na córnea, o Arco Senil não traz prejuízos à visão, não necessitando de tratamento.

Observe o halo claro na periferia corneana, é o Arco Senil.

Caso esteja presente em pessoas mais jovens, pode significar que os níveis sanguíneos de colesterol e de outras gorduras encontram-se anormalmente altos. Como ocorre em outras ocasiões, um achado ao exame Oftálmico de rotina, pode ajudar na detecção ou acompanhamento de condições clínicas do(a) paciente.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

Os termos Glaucoma e “Pressão Alta nos Olhos” costumam gerar alguma confusão para boa parte dos pacientes. Simplificadamente, por glaucoma entende-se um grupo de doenças, que têm em comum um mesmo padrão de lesão do nervo óptico, o chamado dano glaucomatoso. A pressão interna dos olhos, ou pressão intraocular, é um parâmetro clínico mensurável, de interesse à avaliação Oftálmica de rotina, como as avaliações da pressão arterial, peso, ou da temperatura corporal para outras áreas da Medicina.

A confusão é aprofundada quando se tenta definir o que seriam níveis elevados de pressão intraocular. Tradicionalmente, admitem-se como normais, as pressões entre 10 e 21 milímetros de mercúrio (representados por mmHg). No entanto, há pacientes com pressões abaixo de 21 mmHg que são portadores de glaucoma; bem como, há quem tenha pressões maiores que 21 mmHg, sem qualquer sinal de dano glaucomatoso. Assim, uma pressão intraocular de 18 mmHg, por exemplo, pode ser “alta” para uma pessoa e “normal” para outra. Por outro lado, quanto mais elevada a pressão intraocular, maiores as chances de que a pessoa desenvolva lesão glaucomatosa.

Ressalta-se que o tratamento do glaucoma baseia-se na redução da pressão intraocular, qualquer que seja ela.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

As lentes de contato gelatinosas filtrantes são lentes com colorações específicas utilizadas para melhorar o desconforto ocular ocasionado por uma fotofobia e/ou glare incapacitantes, bem como para melhorar a discriminação de cores por pacientes com discromatopsias eixo vermelho-verde¹.

Diferente das lentes coloridas cosméticas, o padrão de distribuição da pigmentação deve abranger a área pupilar e a estética não é o objetivo primário. As lentes gelatinosas coloridas cosméticas além de não resolverem a questão da fotofobia incapacitante, podem diminuir a performance visual pelo aumento das aberrações de alta ordem².

Fotofobia por definição seria a sensação de desconforto ocular ocasionado pela luminosidade³. Pode ser proveniente de alterações em várias estruturas oculares como por exemplo:

  • Corneanas: cicatrizes, ceratocone, olho seco, astigmatismo;
  • Cristalinianas: catarata subcapsular posterior;
  • Irianas: aniridia, colobomas;
  • Trato uveal: uveíte;
  • Retinianas: distrofia de cones, acromatopsia, stargardt, etc;
  • Causas extraoculares⁴: cefaléias, sequelas de TCE, blefarospasmo.

As causas retinianas são as mais propensas em causar uma fotofobia incapacitante até mesmo em ambientes internos. O desconforto chega ao ponto de comprometer atividades básicas da vida diária, socialização e até vida laboral. Nestes casos, a indicação e adaptação de lentes de contato gelatinosas filtrantes representa a possibilidade de resgate de uma melhor qualidade de vida.

São indicações para a adaptação de lentes de contato filtrantes gelatinosas:

  • Discromatopsias eixo vermelho-verde⁵
  • Distrofias de cones6
  • Acromatopsia7
  • Albinismo
  • Stargardt

Como em todas as adaptações de lente de contato, o paciente deve realizar um exame oftalmológico completo e posterior selecionar e realizar o teste da lente de contato.

Para fins didáticos dividiremos as adaptações em 2 grupos:

a) Pacientes com fotofobia incapacitante

  • Adaptação feita em ambos os olhos
  • Colorações possíveis: marrom e vermelha

b) Pacientes com discromatopsias eixo vermelho-verde

  • Geralmente adaptação monocular no olho não dominante, porém pode ser binocular. Realizar teste de cores sem lente e com lente de contato para comparação.
  • Coloração: vermelho

O vermelho melhora a fotofobia por apresentar ondas com maior comprimento e menor frequência. Isto contribui para menor desestabilização do pigmento presente nos bastonetes quando expostos a luminosidade.

A indicação das lentes de contato gelatinosas filtrantes deve ser individualizada. Esclarecimentos diminuem expectativas fantasiosas e aumentam o sucesso na adaptação.

Na adaptação, realiza-se um teste com a coloração escolhida em ambientes internos e externos. Deve-se mostrar as alterações estéticas decorrentes desta utilização. Sempre mensurar a acuidade visual com e sem lente, já que podem ocorrer reduções da acuidade visual e contraste.

Como todas as lentes de contato, a adaptação é um ato médico. Necessita ser precedida de um exame oftalmológico completo e ser acompanhada com controles periódicos.

 

*Artigo publicado por Mylene Matsuhara – Oftalmologista associada à SMO.

 

BIBLIOGRAFIA

  1. Matsuhara ML. Adaptação de Lentes de Contato em Visão Subnormal. In: Godinho C, Dantas B, Sobrinho M, Polisuk P.O Padrão CG em Lentes de Contato.2 ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica/Guanabara Koogan;2010
  2. Hiraoka T, Ishii Y, Okamoto F, Oshika T. Influence of cosmetically tinted soft contact lenses on higher-order wavefront aberrations and visual performance. In: Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol 2009 Feb:247(2)225-33
  3. Sei M. Estudo da Sensibilidade ao Contraste, do Glare e do Campo Visual na Baixa Visão. In: Sampaio MW, Haddad MAO, Costa Filho HA, Siaulys MOC. Baixa Visão e Cegueira- Os Caminhos para a Reabilitação, a Educação e a Inclusão.1ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica/Guanabara Koogan;2009
  4. Katz BJ, Diare KB. Diagnosis, pathophysiology, and treatment of photophobia. In: Surv Ophthalmol.2016 Jul-Aug;61(4):466-77
  5. Mutilab HA, Sharanjeet-Kaur, Keu LK,Choo PF. Special tinted contact lens on colour-defects. In: Clin Ter.2012:163(3):199-204
  6. Park WL, Sunness JS. Red contact lenses for alleviation of photophobia in patients with cone, disorders. In: Am J Ophthalmol 2004 Apr;137(4);774-5
  7. Schornack MM, Brown WL, Siemsen DW. The use of tinted contact lenses in the management of achromatopsia. In: Optometry.2007 Jan;78(1); 17-22

Uma revisão e avaliação crítica  da manifestação ocular e a presença de SARS-CoV-2 por meio da positividade da PCR de amostras oculares em pacientes relacionados ao COVID-19. Além disso, avaliar o tempo e a gravidade da associação da manifestação ocular à doença sistêmica da COVID-19.

Métodos e análises

Uma pesquisa sistemática da literatura nos bancos de dados PubMed, ScienceDirect e Google Scholar foi realizada usando itens de relatório preferenciais padronizados para revisões sistemáticas e diretriz MetaAnalyses. As palavras-chave selecionadas estavam relacionadas à COVID-19, manifestação ocular e teste PCR de SARS-CoV-2. Os estudos foram avaliados quanto à sua validade e os dados foram extraídos por dois revisores independentes. Estudos observacionais, séries de casos e relatos de casos foram incluídos se atendessem aos critérios de seleção. Meta-análise foi realizada para estimar a prevalência combinada de manifestações oculares e positividade de PCR de lágrimas.

Resultados

Trinta e um artigos foram revisados qualitativamente e 14 estudos foram incluídos na meta-análise. A prevalência combinada de manifestação ocular entre pacientes relacionados ao COVID-19 foi de 0,05 (IC de 95% 0,02% a 0,08). A taxa geral de positividade da PCR de amostras de lágrimas de pacientes relacionados ao COVID-19 que apresentam manifestação ocular foi de 0,38 (IC de 95% 0,14% a 0,65). A manifestação ocular pode preceder a manifestação sistêmica em cerca de 0,28 (IC 95% 0,05% a 0,58) dos pacientes relacionados com COVID-19 com manifestações oculares. Além disso, a manifestação ocular não foi associada a uma forma grave de COVID-19.

Conclusão

Embora o número geral de manifestações oculares e a taxa de positividade da PCR para SARS-CoV-2 de amostras oculares fossem muito baixos, cerca de um quarto dos pacientes relacionados a COVID-19 com manifestação ocular apresentaram sua manifestação ocular mais cedo do que a manifestação sistêmica, independentemente da gravidade. Curiosamente, a PCR do SARS-CoV-2 foi positiva em um terço das amostras oculares, o que poderia potencialmente ser a fonte de infecção do trato respiratório e do ambiente, embora a infectividade ainda não tenha sido determinada.

O que já se sabe sobre este assunto?

O SARS-CoV-2 pode infectar e se replicar nos olhos por meio do receptor da enzima 2 do receptor da angiotensina encontrado na conjuntiva e na córnea.

► Foi relatado conjuntivite entre pacientes com COVID-19.

► O ducto nasolacrimal pode transmitir o vírus dos olhos para a nasofaringe.

Quais são as novas descobertas?

► A prevalência geral de manifestação ocular entre pacientes com COVID-19 é de 5%.

► Cerca de um quarto das manifestações oculares podem preceder as manifestações sistêmicas entre os pacientes relacionados com COVID-19 com manifestações oculares.

► A PCR de SARS-CoV-2 foi positiva em um terço das amostras oculares entre pacientes relacionados à COVID-19 com manifestação ocular.

Como esses resultados podem mudar o foco da pesquisa ou da prática clínica?

► Conjuntivite em pacientes com suspeita de COVID-19 pode ser a fonte de infecção devido ao SARS-COV-2.

► A detecção de SARS-CoV-2 em amostras oculares é difícil. Ainda assim, oftalmologistas ou clínicos gerais que enfrentam conjuntivite em pacientes com alta suspeita de COVID-19 ou em áreas com alta transmissão de COVID-19 devem usar equipamento de proteção individual adequado, incluindo máscara e óculos / protetor facial.

 

*Artigo publicado por Luiz Carlos Molinari – Oftalmologista e Presidente da SMO.

 

Referências Bibliográficas:

La Distia Nora R, et al.
BMJ Open Ophth 2020;5:edoi:10.1136/bmjophth-2020
Are eyes the windows to COVID-19? Systematic review and meta-analysis.
BMJ Open Ophthalmology

A Síndrome da Disfunção lacrimal, ou mais comumente chamado, o “Olho Seco” está diferente.  Se antes era uma doença mais rara e prevalente principalmente em mulheres de meia idade, ultimamente vem se tornando muito comum nos consultórios oftalmológicos em todo o mundo e inclusive no Brasil. As causas desta mudança não são totalmente claras, mas suspeita-se que o uso abusivo de tecnologias tais como telas de computadores e celulares de forma extensiva possa ser atribuída. A razão para isto seria decorrente do baixo ritmo de piscadas observada durante o uso deste equipamentos.

Estudos mostram  que comumente as pessoas tendem a ter este comportamento durante seu uso e supõe-se que esta baixa frequência interfira na produção oleosa do componente lacrimal. A lágrima sabidamente é composta de água, muco, óleo e minerais dissolvidos, sendo a oleosidade responsável pela proteção contra evaporação. A camada aquosa é produzida pelas glândulas lacrimais e muito raramente são as causas  deste tipo atual de olho seco. A fina mas importante camada oleosa é a mais externa e é produzida pela chamadas glândulas de meibomius, que desembocam seu conteúdo na borda palpebral de maneira suave a cada piscada. Portanto, piscar pouco libera uma menor quantidade deste produto e com o tempo isto vai se tornando constante.

Muitas pessoas tem seu trabalho totalmente ligado ao uso de telas e sua produtividade depende da velocidade durante seu uso, ficando atividades fisiológicas como piscar, olhar para longe, movimentar o corpo, beber água etc. gradativamente esquecidas. Muitos desconhecem estes riscos e se concentram fortemente em seus trabalhos, não tendo consciência das possíveis consequências dos maus hábitos que a vida moderna impõe.

Os computadores, assim como os celulares, exercem um verdadeiro fascínio sobre seus usuários e se tornaram essenciais nas nossas vidas. Uma lágrima sem uma boa camada oleosa se torna fraca e desequilibrada e não cobre a primeira lente dos olhos, que é a córnea, de maneira eficiente. A córnea por sua vez se torna progressivamente mais ressecada, podendo alcançar níveis preocupantes, mas de maneira variável.

Alguns tem sintomas bem claros tais como ardor, sensação de ciscos, vermelhidão leve, intolerância à luminosidade e coceira, mas outros podem  ter olho em pior estado sem tais queixas e esta paradoxalidade deixa confusos os pacientes e médicos. Também causa estranheza o fato de muitos sentirem que tem olhos secos e que lacrimejam. O lacrimejamento também pode ser uma queixa de olho seco porque a camada aquosa está presente mas a camada oleosa que a protege evapora rápido. Isto permite que a córnea fique despida da sua proteção e envia um sinal ao cérebro interpretado como ardor, que por sua vez envia um sinal para a glândula lacrimal para aumentar sua produção.

Mais recentemente, graças a chegada de novas tecnologias e exames, tais como osmolaridade lacrimal e testes imunológicos buscando detectar a presença de compostos inflamatórios presentes na lágrima de portadores de olhos secos vêm ajudado os oftalmologistas a detectarem mais facilmente sua presença. O diagnóstico pode no entanto ser mesmo assim desafiador.

Nos últimos anos temos observado “Olho Seco” em pacientes bem mais jovens, com algumas destas queixas e surpreendentemente muitas vezes nenhum sinal ocular pode ser detectado. Ambos os sexos estão suscetíveis e estes pacientes ainda não chegaram à idade em que as doenças degenerativas começam a mostrar seus incômodos. A causa nestes casos é atribuída ao adormecimento destas glândulas pela baixo número de piscadas e não ao envelhecimento natural. A camada aquosa que é produzida pelas glândulas lacrimais está normalmente presente mas a oleosa está deficiente.

Um outro aspecto decorrente do “Olho Seco” seria a intolerância às lentes de contato gelatinosas que vem progressivamente se tornando cada vez mais frequentes. Muitos já não toleram simplesmente usá-las o dia todo. A lentes  de contato hidrofílicas (gelatinosas) necessitam da umidade da lágrima para se manterem macias e confortáveis. Fora dos olhos, em poucos minutos estarão completamente secas e olhos secos não toleram uma competição pela lágrima. Assim, um tratamento para este problemas precisa ser instituído.

Após a realização de exames para diagnose, o alvo inicial é o tratamento das glândulas de meibomius, e atitudes como trocas mais frequentes das lentes com seu uso reduzido e uso de lubrificantes não preservados para muitos casos não são suficientes. O alvo terapêutico esta claro: é necessário que as glândulas de meibomius voltem ao seu estado natural e liberem sua oleosidade tornando a lagrima eficiente.

O “Olho Seco” precisa ser tratado e este tratamento visa também recuperar a função palpebral e de suas glândulas. Ate há poucos anos seu tratamento era tentado às custas de compressas quentes e massagem palpebral, e no caso de infecções com o uso de antibióticos e anti-inflamatórios por tempo prolongado, sendo portanto taxados de incômodos e pouco eficazes.

O uso de lubrificantes faz parte da base assim como uso de colírios anti-inflamatórios e ainda adição na dieta de Ômega 3, que pode ser útil para alguns casos onde esse elemento estaria escasso. A boa novidade é que nos últimos 3 anos uma nova terapia vem se mostrando eficiente para se conseguir a estabilidade do filme lacrimal. O “IRPL”  (Luz pulsada regulada intensa) ativa as glândulas de meibomius trazendo a produção oleosa à normalidade sendo bem rápido (cerca de um minuto) e indolor. Após 3 ou 4 sessões é possível que haja uma completa recuperação da camada oleosa e assim ser possível voltar ao uso de lentes de contato e muitas vezes abandonar o uso frequente de colírios lubrificantes.

Estas sessões costumam ser eficientes por até mais de um ano, com uma única sessão anual posteriormente para manutenção, e tem sido apontada como vantajosa a fim de perpetuar seus efeitos benéficos. Não há riscos relacionado ao seu uso e a única contra indicação importante seria pele negra porque impede a passagem da luz para as camadas mais profundas onde estão as glândulas de meibomius.

Os portadores de “Olho Seco” precisam criar maneiras racionais no uso intensivo de telas, tentando se possível diminuir seu uso, ou ao menos criando momentos de descanso e procurando conscientizar que é necessário piscar mais. Além disto, devem evitar a entrada de água nos olhos sob pena de trocarem uma lágrima ainda que deficiente por água, o que seria uma troca desvantajosa. Da mesma forma o uso de soro fisiológico remove a pouca oleosidade ainda existente. Neste caso, lubrificantes são preferíveis ao uso do soro.

 

*Artigo publicado por Leonardo Gontijo – Oftalmologista associado à SMO.

A criança nasce com uma visão muito embaçada, porém é capaz de enxergar. Os olhos atuam transformando a luz em estímulo nervoso. Este estímulo é conduzido até o cérebro pelo nervo óptico e a imagem é formada no córtex visual, localizado na região occipital do cérebro.

Com um mês de vida a criança deve estar fixando os objetos e aos três meses deve estar seguindo bem os objetos. A partir do quarto mês a visão melhora muito devido à maturação da retina e a melhor capacidade acomodativa (de focalização) do olho. Até o sexto mês é comum observar desvios dos olhos sem, contudo, significar que a criança vai ter estrabismo. A partir do sexto mês, as crianças devem apresentar um bom alinhamento dos olhos e qualquer suspeita de estrabismo deve ser avaliada pelo oftalmologista.

A visão continua a se desenvolver e, quando não existe nenhum problema, a criança atinge uma visão de 100% em torno dos 3 anos de idade. Entretanto, a visão possui potencial de desenvolvimento durante toda a infância, período em que existe a chamada “plasticidade sensorial”. Porém, o estímulo visual nos primeiros anos de vida é mais eficaz para o desenvolvimento da visão do que o realizado no final da infância.

Quando os olhos estão alinhados, temos a ortotropia. Isto indica que ambos olhos estão fixando o mesmo objeto e o cérebro é capaz de fundir as imagens enviadas pelos dois olhos formando uma imagem única, tridimensional. Isto facilita na percepção espacial e de profundidade. Se os olhos estão desalinhados (estrabismo) a percepção de profundidade fica substancialmente reduzida. Além do mais, quando um olho fica desviado na infância, o cérebro suprime a imagem desse olho, e pode causar a ambliopia (baixo desenvolvimento da visão).

As causas de ambliopia são:

1. Ambliopia estrabísmica 

Causada pelo estrabismo, principalmente pelo estrabismo presente nos primeiros meses de vida. A ambliopia por estrabismo é o tipo de ambliopia mais frequente. Para evitar a visão dupla causada por olhos mal alinhados, o cérebro ignora a informação visual do olho desalinhado, levando à ambliopia.

2. Ambliopia anisometrópica

Causada pela anisometropia (diferença de erro refracional entre os olhos). Nestes casos, a visão desenvolve bem no olho com o menor grau e não desenvolve bem no olho com o maior grau. Como a criança enxerga bem com um dos olhos, muitas vezes o diagnóstico pode ser mais tardio, depois da infância, o que dificulta o tratamento.

3. Ambliopia por altas ametropias

As ametropias (erros refracionais) do olho são: a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo. Essa ambliopia pode ocorrer quando existem erros refracionais muito elevados em ambos os olhos.

4. Ambliopia por privação

A ambliopia por privação é causada por uma opacidade dos meios transparentes dos olhos, o que dificulta ou impossibilita a luz chegar até a retina. A catarata congênita (opacidade do cristalino) impede que a luz chegue até a retina corretamente, impedindo o desenvolvimento normal da visão. O tratamento precoce da catarata congênita é muito importante para permitir o desenvolvimento visual normal na criança. Outras causas de ambliopia por privação são: leucoma (opacidade) na córnea, opacidades no vítreo, ptose palpebral, entre outras.

O tratamento da ambliopia ou a prevenção dela devem ser realizadas o precocemente possível. O tratamento vai variar dependendo da causa do problema e da idade do paciente.

Se a causa for o estrabismo, a primeira medida a ser tomada é a prescrição de óculos, quando necessário, e depois o uso do tampão. Muitos tipos de estrabismo necessitam de correção cirúrgica e o uso dos óculos é independente da cirurgia.

Se a ambliopia tiver como causa o erro refracional, a primeira medida é a prescrição dos óculos. O tampão muitas vezes também é necessário.

O uso do tampão, ou oclusor ocular, deve ser feito sobre o olho de melhor visão, para estimular o desenvolvimento visual no olho mais fraco. É muito importante conscientizar os pais da importância do tratamento para evitar prejuízo na visão dos filhos. Não existe nenhuma atividade, exercícios ou terapia que ajudem a melhorar a visão. O importante é manter o tampão durante todo o tempo prescrito pelo oftalmologista.

Se a ambliopia for de privação, o tratamento tem como objetivo restaurar a transparência dos meios óticos, de modo a permitir que a luz chegue até à retina. No caso da catarata congênita, a cirurgia para a remoção da catarata deve ser efetuada o mais precocemente possível.

O tratamento da ambliopia após o período de plasticidade sensorial, depois dos 10 anos de idade, tem habitualmente pouco sucesso.

 

*Artigo publicado por Geraldo de Barros Ribeiro – Oftalmologista associado à SMO.

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