40º Congresso do Hospital São Geraldo

A oftalmologia é palco de um grande evento em Belo Horizonte. A Sociedade Mineira de Oftalmologia tem a honra de participar de importantes discussões na área durante o 40º Congresso do Hospital São Geraldo. O evento, totalmente online, acontecerá nos dias 10, 17, 24 e 31 de outubro e 7, 14 e 21 de novembro.

Os módulos serão apresentados os mais recentes avanços de cada uma das subespecialidades da oftalmologia e contarão com alguns dos mais destacados especialistas do Brasil e do exterior. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia e todas as suas sociedades filiadas assim como a Sociedade Brasileira de Oftalmologia apoiarão e terão presença de destaque neste evento.

O Congresso deste ano é particularmente emblemático porque comemora os 100 anos do Hospital São Geraldo, Instituição onde floresceu o primeiro Curso de Pós-graduação em Oftalmologia – nível doutorado – do Brasil, e que formou mais de duas centenas de Doutores e proeminentes personalidades do cenário oftalmológico, nacional e internacional.

O significativo apoio e participação do CBO, Sociedades filiadas e de grandes nomes da nossa especialidade permitem antever, desde já, um grande Congresso.

Mais informações: (11) 94166-5049 ou congressohsg@fernandapresteseventos.com.br.

As conjuntivites alérgicas fazem parte das alergias oculares que, de acordo com o último Consenso Latino Americano de Alergia Ocular (2011), é “uma doença  inflamatória da superfície ocular, frequentemente recorrente, cujo mecanismo fisiopatológico básico é a hipersensibilidade Tipo I, associada ou não a outros tipos de reação de hipersensibilidade”.

Afetam em torno de 20% da população e suas formas mais frequentes são: conjuntivite sazonal (SAC), conjuntivite perene (PAC), ceratoconjuntivite vernal ou primaveril (VKC) e ceratoconjuntivite atópica (AKC). Quanto à duração, podem ser divididas em: aguda , crônica e recorrente.

O principal sintoma da alergia ocular é o prurido (coceira), é tão importante, que podemos dizer, que se ele não é relatado, devemos pensar em outra patologia. Sensação de ardor, lacrimejamento e queimação são também frequentemente informados. Os sinais principais são: hiperemia, edema conjuntival e palpebral (fig.1), micropapilas tarsais superiores e secreção mucosa. Nos casos mais graves encontramos papilas tarsais gigantes (> 1mm) (fig.2), papilas limbar (fig.3), pontos de Horner-Trantas (fig.4) e úlceras de córnea (úlceras em escudo) (fig.5).

Figura 1 – Edema de Conjuntiva
Figura 2 – Papilas gigantes
Figura 3 – Papilas Limbar
Figura 4 – Pontos de Horner-Trantas
Figura 5 – Úlcera em escudo

É uma patologia caracteristicamente bilateral, mas com assimetria de intensidade. A associação com outras formas de alergia é um padrão, sendo a rinite a mais frequente (rinoconjuntivite alérgica).

O diagnóstico é principalmente clínico, feito no consultório oftalmológico, com auxilio da lâmpada de fenda, fluoresceína e outros corantes. Pesquisas de eosinófilos no raspado conjuntival, citologia de impressão, dosagem de IgE sanguíneo e de histamina e triptase na lágrima são recursos mais utilizados em pesquisa.

Conjuntivite Sazonal (SAC)

Ocorre em indivíduos previamente sensibilizados, quando em contato novamente com o (os) alérgeno(s) desencadeante(s), esse(s) se liga(m) à IgE específica presas à parede de mastócitos conjuntivais, causando sua degranulação com liberação da cascata de mediadores alérgicos e inflamatórios.

É a forma mais comum de alergia ocular, mas muitas vezes a sintomatologia é branda, autolimitada, resolvendo os episódios sem necessidade de ajuda médica. É frequentemente desencadeada por fatores externos (outdoor) como pólen e gramíneas, variando durante as estações do ano, verão, primavera e outono.

É caracterizada por hiperemia, prurido, podendo evoluir para quemose conjuntival, afetando crianças, jovens e adultos.

Conjuntivites Perenes (PAC)

As Perenes tem apresentação clínica muito semelhante às sazonais, porém são crônicas, ocorrendo durante todo o ano, com curtos períodos de tranquilidade.

São causadas por fatores domésticos (indoor), como ácaros, poeira, mofo e pelos de animais.

Ceratoconjuntivite Vernal (VKC)

Forma mais agressiva do que as anteriores porque além de agredir a conjuntiva, compromete a córnea e as pálpebras (principalmente o tarso superior), podendo levar à baixa de acuidade visual definitiva ou de difícil solução.

Além da hipersensibilidade tipo I, a tipo IV também parece estar envolvida no processo. A cadeia inflamatória desencadeada pela degranulação de mastócitos associada a outros mecanismos envolvendo respostas mediadas por linfócitos Th2, IgG, basófilos e hipersensibilidade tardia, é extremamente agressiva e prolongada.

Atinge mais meninos (3,2:1) do que meninas,  geralmente inicia-se antes dos 10 anos de idade, estendendo-se até adolescência. Típica de países quentes, secos e clima subtropical, sendo rara nos países frios.

Frequentemente convive com outras atopias, principalmente asma e rinite, desencadeadas por pólen (mais comum), ácaros, fungos e epitélio de animais. Além do prurido, outros queixas e achados clínicos completam o quadro: fotofobia, secreção mucosa, lacrimejamento, queimação, sensação de corpo estranho, dor e piora da acuidade visual.

No exame ocular podemos encontrar papilas tarsais superiores e limbares gigantes (>1 mm), limbo gelatinoso, pontos de Horner-Trantas (pontos elevados e esbranquiçados formados por eosinófilos degenerados e restos de células epiteliais), ceratite puncttata e úlceras em escudo.

A associação com ceratocone está demonstrada amplamente na literatura.

Ceratoconjuntivite Atópica (AKC)

Inflamação crônica, bilateral da conjuntiva e pálpebras, associada à dermatite atópica. Diferentemente das anteriores, é mais frequente em homens com mais de 40 anos, atópicos, desencadeada após exposição a ácaros e pelos de animais.

Como a VCK, as hipersensibilidades tipo I e IV são responsáveis pelas agressões oculares e palpebrais, desencadeando prurido, lacrimejamento, visão embaçada, fotofobia, espessamento e descamação palpebral, madarose ciliar e de sobrancelha. O ceratocone também é mais frequente nesses pacientes.

Tratamento geral

  • Evitar coçar os olhos (degranulação mecânica dos mastócitos e aumentam a chances de ceratocone);
  • Compressas frias (melhora do edema e do prurido);
  • Uso de lágrimas artificiais (diluir e remover os alérgenos);
  • Evitar ou diminuir o contato com os alérgenos conhecidos.

Tratamento tópico e sistêmico

  • Anti-histamínicos: Emedastina, pouco eficaz, quando usado isoladamente.
  • Estabilizadores de mastócitos: cromoglicato de sódio, nedocromil e lodoxamide. Levam de 5 a 14 dias para atingirem o pico de ação, uso de 6/6h.
  • Estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos (colírios de dupla ação): drogas de escolha para o tratamento das conjuntivites sazonais e perenes. Como opções, temos: olopatadine, alcaftadine, epinastina, cetotifeno. Além de atuarem em mais de uma fase do ciclo alérgico, a posologia é mais prática (1 gota de 12/12h ou 1 vez ao dia) e o início da ação ocorre após minutos da instilação.
  • Anti-inflamatórios não esteroides: menos potentes do que os anti-histamínicos , mas estão indicados nos casos que o quadro inflamatório é importante ( geralmente nas VKC e AKC).
  • Anti-inflamatórios esteroides: extremamente eficientes, porém devem ser usados apenas nos casos refratários às drogas de dupla ação, mais comumente as VKC e AKC, pela possibilidade de causar glaucoma e catarata. Quando indicados, a preferência é pelos chamados “esteroides de superfície ou soft steroids”; loteprednol e fluormetolona, pela baixa penetração na câmara anterior, consequentemente com menor risco de glaucoma e catarata. Iniciar com dose de 4x /dia reduzindo gradativamente.
  • Anti-histamínicos orais: comparados com os tópicos, demoram mais para agir e são menos efetivos.
  • Imunomoduladores: usados em associação aos corticoides ou na tentativa de substituição dos mesmos naqueles casos graves, corticoide dependentes. Ciclosporina e tracrolimus são inibidores da calcineurina, têm ação semelhante aos corticoides, porém sem casar glaucoma ou catarata. Seu uso tópico para ceratoconjuntivite ainda não está liberado nos EUA e Europa, faltando ainda definição de concentração e posologia. No Japão já são liberados para casos graves de ceratoconjuntivite. No Brasil já foram publicados vários trabalhos usando ciclosporina colírio 1 ou 2% e tacrolimus 0,1 ou 0,03% na forma de colírio e pomada, com bons resultados, mas ainda permanecem em estudos.
  • Imunoterapia: a eficácia de imunoterapia subcutânea é bem estabelecida para a atopia de modo geral, sendo válida como tratamento complementar para as  conjuntivites. O uso sublingual também tem demonstrado melhora dos sintomas oculares. As melhores respostas são encontradas nos casos IgE mediados e quando se identifica o agente desencadeante. A avaliação por um alergologista é muito importante para se traçar um perfil alérgico do paciente através de testes cutâneos (prick teste) ou sanguíneos. Com esse conhecimento, o paciente e os familiares poderão evitar os alérgenos  causadores, melhorando muito  o resultado do tratamento.

 

*Artigo publicado por Pedro Paulo Reis – Oftalmologista associado à SMO.

O diabetes mellitus é uma doença bastante prevalente. Estima-se que aproximadamente 10% da população mundial é diabética. Trata-se de uma doença que pode afetar a saúde ocular, principalmente quando acomete uma estrutura nobre do olho denominada retina. Retinopatia diabética é o termo utilizado quando existe comprometimento da retina pelo diabetes. A retinopatia diabética é a principal causa de baixa visual em pacientes na faixa etária economicamente ativa, ou seja, pacientes entre 25 e 65 anos. O comprometimento visual tem um grande impacto na qualidade de vida do paciente diabético. Abaixo encontram-se 4 dicas para preservação da saúde ocular do paciente diabético:

  1. Mantenha controle periódico com médico endocrinologista. Ele será responsável por solicitar exames complementares necessários e orientar sobre o tratamento sistêmico. O tratamento deve ser individualizado, muitas vezes a medicação de um paciente difere da necessidade de outro paciente. Portanto, siga as orientações do seu endocrinologista em relação aos medicamentos para o controle/tratamento da sua doença.
  2. Tenha uma alimentação balanceada, se possível sob orientação do nutricionista. A alimentação balanceada tem papel não somente para o controle glicêmico, mas também para melhoria do bem-estar geral dos indivíduos.
  3. Faça exercícios físicos regularmente. A atividade física é muito importante para a manutenção da saúde como um todo. No caso do diabetes, os exercícios ajudam a controlar os níveis de açúcar e melhoram a ação da insulina, além de ajudar a reduzir/controlar o peso e fortalecer o coração.
  4. Visite seu médico oftalmologista. Todo paciente diabético deve passar regularmente por um exame de fundo de olho. O objetivo desse exame é diagnosticar precocemente a retinopatia diabética e preservar a boa visão do paciente. Com o diagnóstico precoce, o tratamento será mais simples e possivelmente com excelentes resultados visuais. Doenças em estágio avançado tornam os tratamentos mais complexos e a baixa visual pode ser irreversível em alguns casos.

Atualmente existem várias modalidades de tratamento da retinopatia diabética, desde a aplicação de LASER, uso de medicamentos intraoculares e cirurgias. O tratamento da retinopatia diabética é eficaz em mais de 90% dos casos na prevenção de baixa visual.

Faça uma consulta com o oftalmologista! Ele é fundamental para a preservação da saúde ocular do paciente diabético.

*Artigo publicado por Frederico Braga Pereira – Oftalmologista associado à SMO.

Ocasionalmente, pacientes questionam se deveriam priorizar lentes com filtro para luz azul (geralmente mais caras), em detrimento das lentes convencionais.

Fabricantes têm divulgado vantagens como menor desconforto ao uso de computadores, tablets ou celulares; proteção à retina, diminuindo os riscos de degeneração macular relacionada à idade; propondo, inclusive, melhora no padrão do sono entre usuários de lentes com filtro para luz azul. Entretanto, tais afirmações, até o momento, carecem de comprovação científica. Isto é o que se sabe de fato:

  • Para que se utilize confortavelmente equipamentos eletrônicos, a postura deve ser adequada, mantendo a tela cerca de 1 braço de distância, inferiormente aos olhos. A lubrificação e alinhamento oculares devem ser normais, sendo que a eventual ocorrência de “grau” deve ser compensada pelo uso de óculos ou lentes de contato, ou corrigidas cirurgicamente. Iluminação ambiente adequada e pausas regulares também são comumente indicadas;
  • A luz que comprovadamente traz malefícios aos olhos são os raios ultravioleta (não a luz azul). Mesmo assim, até o momento, não fora demonstrada ocorrência significativa desses raios na luz emitida pelas telas de eletrônicos de uso cotidiano;
  • A qualidade do sono é influenciada por uma infinidade de fatores, sendo que a exposição à luz azul, ainda que seja um deles, não parece constar entre os mais importantes.

Com base nestas informações, conclui-se que não há vantagens consistentes que justifiquem a preferência pelas lentes com “proteção” à luz azul. Certamente, esta recomendação pode mudar, caso surjam robustas evidências em contrário.

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

“Cor não é só cor. É conceito. O verde é calmo, o vermelho é quente, o preto é sóbrio. Assim escolho minhas roupas e meus sapatos”. (Olga Barbosa da Silva Pereira)

Assim é o mundo em preto e branco descrito por uma acromata. Mas, como ocorre essa percepção nos indivíduos cromáticos?

Segundo a Classificação Internacional da Funcionalidade (CIF, 2003) a visão de cores é uma função visual relacionada à diferenciação e combinação de cores.

Pouco conhecida no bebê, aos 2 meses uma criança é capaz de discriminar comprimentos de onda semelhante ao adulto, embora ela necessite cores mais fortes, com maior brilho.

A identificação de uma cor relaciona-se a uma série de fatores incluindo não somente a cor de um objeto, mas, de todos os objetos ao seu redor. Devem ser consideradas as suas características básicas como tonalidade ou tom, relacionada com o comprimento de onda da radiação (nomeação da cor), saturação ou croma, grau de pureza da cor e brilho ou luminosidade, relativo à quantidade de luz emitida por um objeto. A modificação de um desses fatores pode ajudar na percepção da cor. Assim, as cores são relativas, como afirma Hyvarinen (2011).

São conhecidas várias teorias para explicar a visão cromática, citadas por Urbano (1976). A Teoria tricromática de Young – Helmholtz (1802) é considerada a base da óptica fisiológica. Ela estabelece a existência na retina de três mecanismos neurais independentes. Cada ponto sensível da retina ao ser estimulado agiria sobre uma parte específica do espectro, resultando no vermelho, verde e azul, cores básicas. A combinação da quantidade de cada cor forma todo o espectro visível. Contudo, esta teoria não explica porque certas cores se inibem entre si. Ewald Hering (1872), acreditava na existência de três canais de cores complementares e antagônicos: vermelho-verde, azul-amarelo e branco-preto, compatível com o princípio neurofisiológico da excitação e inibição (teoria da oponência das cores). Riggs (1967) admite que a visão cromática é um misto da teoria tricromática de Young/Helmholtz e outras como a teoria de oponência das cores. Brindley (1957), admite a participação de toda a via óptica desde cones e bastonetes até o córtex estriado. Bartels e Zeki (2000) descrevem o complexo V4, considerado o centro do senso cromático no córtex cerebral.

Segundo WRIGHT (1957), do ponto de vista cromático os indivíduos podem ser classificados como tricromata (normal e anormal), dicromata, acromata ou monocromata. Os tricromatas normais percebem todo o espectro visível ao olho humano, desde o azul (380 nm), passando pelo verde (500 nm) até o vermelho (780 nm).

Figura 1: Espectro de absorção dos três tipos de cones (fonte: http://saude.hsw.uol.com.br)

Já os tricromatas anormais percebem as três cores básicas, mas, uma delas de forma deficitária – é a protanomalia no déficit para o vermelho; a deutanomalia, para o verde, a tritanomalia para o azul e a tetartanomalia para o amarelo, também considerado cor básica por Hartridge. Para vê-la corretamente é necessário aumentar uma das três variáveis da luz monocromática: saturação, tonalidade e brilho. O dicromata não percebe uma das três cores básicas, mesmo modificando suas variáveis – têm-se a protanopia, deutanopia, tritanopia ou tetartanopia. O acromata identifica somente brilhos diferentes.

Discromatopsia (dis=distúrbio; cromos=cor; opsis=olho) é um termo genérico usado para designar qualquer distúrbio de cores. Pode ser classificada em formas congênitas (hereditárias) e adquiridas. O termo daltonismo refere-se comumente a uma discromatopsia congênita. As formas congênitas protan e deutan são recessivas ligadas ao cromossomo X; o distúrbio tritan é autossômico dominante e a acromatopsia autossômica recessiva. A discromatopsia congênita no eixo vermelho-verde é a mais comum, sendo mais frequente nos homens (8%) que nas mulheres (0,4%). Já no eixo azul-amarelo ela é rara. As formas adquiridas, sem componente genético, são devidas a doenças sistêmicas ou oculares propriamente ditas.

As alterações do senso cromático podem ser determinadas através de inúmeros testes cromáticos. Abordaremos aqui os mais comumente usados em nossa clínica diária.

Os testes de Discriminação ou Confusão constituem o Teste de Ishihara, Color Vision Testing Made Easy (CVTME), Atlas de Hardy-Rand-Rittler (HRR).

Figura 2: Testes cromáticos: Ishihara, CVTME e D 15 dessaturado

Consistem em lâminas com figuras de diferentes cores e tamanhos, que mascaram números, figuras ou linhas sinuosas. O teste de Ishihara é o mais empregado, de fácil e rápida realização. Utilizado basicamente, para identificar discromatopsias hereditárias no eixo vermelho/verde e acromatopsia. Cada tábua tem sensibilidade e especificidade entre 85 a 95% e o exame completo muito próximo a 100%. Às vezes, falha no diagnóstico de uma discromatopsia moderada ou detecta uma, em indivíduo normal, que apresenta apenas uma discriminação baixa para cores. O CVTME é similar ao Ishihara. Consiste em lâminas que contêm figuras de círculo, quadrado, estrela, barco, cachorro ou carro. Adequado para crianças maiores de três anos. O HRR estuda as alterações do senso cromático, tanto qualitativa (protan, deutan, tritan e tetartan), quanto quantitativamente (leve, moderada, forte). Contudo, às vezes falha nas discromatopsias congênitas, sendo mais indicado para as formas adquiridas.

Os métodos de comparação ou classificação mais comumente utilizados são: Panel D15 de Farnsworth-munsell (Panel D 15), D15 dessaturado, Teste de Farnsworth-munsell 100 Hue e Good Lite Panel 16 Quantative Color Vision Test (Panel 16). São indicados, preferencialmente, nas discromatopsias adquiridas, podendo mostrar-se normal nas discromatopsias congênitas. Panel D 15 (Linsksz,1964), constitui teste simples, rápido e pode ser aplicado em crianças acima de cinco anos, que colaboram bem. Panel D 15 dessaturado – Lanthony (1974), detecta formas frustas de distúrbio cromático, que escapam ao Panel D15, quando tricromatas normais e anormais podem apresentar resultado normal. Teste de 100 HueFarnsworth(1943) , consta de 85 pastilhas com o mesmo brilho e pequeníssimas diferenças de saturação e o mínimo de tonalidade diferencial entre elas. Classifica as discromatopsias (sobretudo as adquiridas) qualitativa, mas, não quantitativamente. Consome muito tempo na sua realização além de necessitar boa colaboração do examinando o que, limita seu uso na prática diária.  O Panel 16 é um método de comparação semelhante ao D 15, sendo indicado na baixa visão por utilizar pastilhas maiores, de mais fácil reconhecimento.

Tem sido demonstrado ao longo dos anos que nenhum teste de visão de cores é auto suficiente. Para um diagnóstico conclusivo de uma discromatopsia, torna-se necessária a realização de exames complementares ao Ishihara quando a caracterização do tipo e grau da discromatopsia se torna necessário.

Não existe um tratamento específico para a discromatopsia. Na forma adquirida, o tratamento da patologia de base ajuda a melhorar a percepção da cor. Pode-se, também, adotar outras condutas como a melhora do nível de iluminação, evitando-se luz fluorescente, adoção de estratégias de identificação através de formas e tamanhos variados, uso de cores contrastantes para o objeto e seu fundo (cores opostas) além do uso de filtros coloridos, lembrando que o filtro vermelho intensifica a percepção do vermelho e diminui o brilho do verde facilitando assim, a melhor identificação das cores. Aplicativos como o Be my eyes ou o Colorino podem ser prescritos para ajudar na identificação da cor. Os óculos EnChroma são bem indicados para os tricromatas anormais tendo resposta limitada nos dicromatas.

       Figura 3: Colorino e óculos EnChroma

O interesse pelo estudo da visão cromática mostra-se crescente. O conhecimento do grau e tipo de uma discromatopsia permite esclarecer um diagnóstico, orientar o indivíduo em suas atividades diárias e escolares, além de permitir melhor orientação a adolescentes e adultos na escolha da profissão, promovendo uma melhor qualidade de vida.

 

*Artigo publicado por Luciene Fernandes – Oftalmologista associada à SMO.

Você sabia que os bebês podem nascer com um entupimento do canal por onde a lágrima é eliminada? Isto provoca lacrimejamento, já que a lágrima é produzida constantemente para manter os olhos sempre úmidos, e, como não pode ser eliminada pelos seus ductos, ela “vaza”.

Esta situação é bastante frequente, e 1 em cada 5 crianças podem ter o sintoma característico que é o olhinho sempre molhado e com muita lágrima. Outro sintoma também muito frequente é a criança apresentar secreção (remela) no canto interno do olho quase que diariamente. Ressalta-se que o olho em si normalmente fica branco, como um olho normal, ao contrário da conjuntivite quando o olho fica vermelho.

O tratamento indicado é com uma massagem e higiene e, felizmente, na grande maioria dos casos há uma melhora no primeiro ano de idade. A partir daí pode ser indicada uma cirurgia para a desobstrução.

O médico oftalmologista é o profissional treinado para cuidar dos olhos e para orientar os pais sobre a melhor forma de tratar este problema e o melhor momento para fazer algum tipo de cirurgia quando esta for necessária.

*Artigo publicado por Silvia Rodrigues – Oftalmologista associada à SMO.

As lentes de contato são excelentes recursos ópticos. Sua adaptação é regida pela resolução CFM 1965/2011. Fica, desta forma, definido que a adaptação é um ato exclusivo do médico baseado em exame ocular completo recente e exames complementares pertinentes.

A partir desta análise, o oftalmologista definirá a lente mais adequada para cada paciente, com base na lubrificação do olho, curvatura da córnea, “grau”, dentre outros fatores .

Temos lentes de uso único, quinzenal, mensal e anual. Há opções para pacientes com vista cansada , astígmatas e com alterações corneanas. Existem lentes de contato com proteção UV, transitions, indicadas para aqueles com incômodo quando expostos à luz.

Quanto ao material, as lentes de contato podem ser rígidas ou gelatinosas. As rígidas são adequadas para qualquer tipo de grau e são fundamentais para dar boa visão aos pacientes com alterações superficiais de córnea. O conforto inicial é menor , porém o olho tende a se acostumar .

As gelatinosas, por sua vez, são extremamente confortáveis e geralmente utilizadas nos pacientes com córneas normais. As lentes tendem a melhorar a nitidez e ampliar o campo de visão.

Apesar dos inúmeros benefícios, é fundamental trocá-las no período indicado, e ter bons hábitos de higiene. As lentes de uso único devem ser descartadas após a sua remoção do olho. As de troca programada devem ser trocadas dentro do período recomendado, mesmo não fazendo o uso diário das mesmas.

É necessário utilizar as soluções próprias de limpeza para lente e renová-las diariamente no estojo. Antes de remover e colocá-las, é preciso lavar e secar as mãos, e a lente deve ser limpa e enxaguada com a solução específica, antes de ser guardada no estojo. O estojo deve ser lavado uma vez por semana com água e sabão e com as soluções apropriadas, e trocado a cada três ou quatro meses.

A não observância a estes cuidados pode levar a processos alérgicos e ou infecciosos nos olhos. Em casos extremos, é possível ocorrer lesão permanente no olho e perda da nitidez das imagens e consequente deficiência visual. Tendo em vista toda esta gama de opções e variáveis, somente o médico oftalmologista poderá orientar e adaptar as lentes de contato nos seus pacientes.

 

*Artigo publicado por Breno de Mello Vitor – Oftalmologista associado à SMO.

O estrabismo significa uma perda do paralelismo dos olhos (dos eixos visuais). O estrabismo pode se desenvolver em qualquer momento durante a vida de um indivíduo. A patologia ocorre entre torno de 4% da população e tem um padrão hereditário, sendo mais comum nas famílias com uma história positiva do problema. Entretanto, muitos casos ocorrem sem qualquer histórico familiar.

Os distúrbios da motilidade ocular raramente são diagnosticados no período neonatal, porque o sistema visual não está bem desenvolvido, o que dificulta a avaliação através da fixação e do seguimento de objetos. O exodesvio (desvio divergente dos olhos) é mais frequente do que a ortotropia (alinhamento ocular perfeito) ao nascimento, possivelmente devido à posição anatômica divergente das órbitas e pelo sistema visual imaturo. Com o crescimento, os olhos vão assumindo uma posição de mais convergência até a ortotropia, sendo que, a maioria das crianças alcança a ortotropia estável aos 6 meses de idade.

Existe também o chamado pseudo-estrabismo, condição comum em crianças que têm a falsa aparência de estrabismo. Devido ao pequeno desenvolvimento do dorso, o nariz tem base plana, com aparecimento de uma pele no canto interno dos olhos, chamada epicanto. Nestes casos, a condição tende a desaparecer com o crescimento da criança, quando a base do nariz se eleva. O pseudo-estrabismo não requer qualquer tratamento.

O estrabismo geralmente se manifesta na infância. Quando se inicia nos primeiros meses de vida, é conhecido como esotropia (desvio convergente dos olhos) infantil e não tem uma causa bem conhecida. Entretanto, existe uma forte relação genética, apesar de ainda não ter sido identificado o gene alterado. Uma hipótese o relaciona a um desequilíbrio de forças entre os músculos extra-oculares e a outra hipótese associa a uma incapacidade do cérebro em fundir perfeitamente as imagens dos dois olhos. Algumas crianças têm estrabismo convergente acomodativo, causado pela hipermetropia, o qual é corrigido com uso de óculos. Outro tipo comum nas crianças é a exotropia intermitente.

Crianças com estrabismo podem ter prejuízo no desenvolvimento visual (ambliopia) no olho não dominante, o que fica desviado com maior frequência. Por isso, precisam de usar o tampão, para garantir um bom desenvolvimento visual dos olhos. O estrabismo é a principal doença que interfere no desenvolvimento visual. Quando a criança não tem problemas no desenvolvimento visual, ela chega aos 100% de visão por volta dos 3 anos de idade. O desenvolvimento visual pode ser estimulado durante toda a infância (período em que existe a chamada plasticidade sensorial), mas os melhores resultados são obtidos quando o desenvolvimento ocorre nos primeiros 3 anos de vida. Existe também o dano estético causado pelo estrabismo, o que pode comprometer a autoestima da criança.

O estrabismo muitas vezes é reconhecido pela população leiga apenas como um defeito da estética fisionômica e cujas consequências são as de prejuízo da autoestima, do relacionamento afetivo e psicossocial. Vários autores condenaram o uso do termo estético no tratamento do estrabismo em tais situações, pois a definição desse termo é aquela que é feita para melhorar ou embelezar. No entanto, o estrabismo é um estado patológico, devido a um processo de doença subjacente, que está associado com a visão binocular anormal e causa também uma alteração na aparência normal que afeta a qualidade de vida.

Quando o estrabismo ocorre no adulto, pela primeira vez, ele produz visão dupla ou diplopia. A criança é capaz de suprimir a imagem do olho desviado, o que não acontece na idade adulta. A supressão da imagem do olho desviado na infância é a causa da ambliopia.

Os principais objetivos do tratamento do estrabismo são garantir um bom desenvolvimento visual em ambos os olhos na infância e alinhamento os eixos visuais para obtenção de visão binocular única, com boa fusão das imagens. Outros objetivos da correção do estrabismo incluem melhora na postura anormal da cabeça, expansão do campo visual, a restauração da acuidade estereoscópica (visão tridimensional), centralização do campo visual, eliminação da diplopia, melhora da motilidade ocular, melhora no desenvolvimento psicomotor e restauração da aparência normal.

O tratamento do estrabismo vem sendo aprimorado e o prognóstico é geralmente muito bom. É sempre importante salientar a importância da prevenção da ambliopia (baixo desenvolvimento visual) na infância no tratamento do estrabismo. Em geral, quanto mais jovem a criança recebe o tratamento, melhores são os resultados. Um melhor entendimento das forças ativas e passivas dos músculos extra-oculares, que coordenam os movimentos oculares, vem trazendo resultados mais satisfatórios e estáveis no tratamento.

*Artigo publicado por Geraldo Barros Ribeiro – Oftalmologista associado à SMO.

O primeiro medicamento de Terapia Gênica no Brasil, o Luxturna (Voretigeno Nepavoreque), foi aprovado pela ANVISA no dia 6 de agosto de 2020.

Para que ele serve?

Luxturna foi desenvolvido para tratar a doença hereditária da retina causada por mutações nas duas cópias do gene RPE65.

Quais são as doenças hereditárias da retina causadas pelo RPE65?

O espectro de doenças causadas pelo RPE65 tem em comum a nictalopia (baixa visão noturna) presente desde os primeiros anos de vida. Entretanto, dependendo da idade de início dos sintomas, gravidade e fenótipo apresentado, os indivíduos com mutações bialélicas no RPE65 podem receber uma variedade de diagnósticos, sendo os mais comuns Amaurose Congênita de Leber tipo 2 e Retinose Pigmentar tipo 20 e os menos comuns Distrofia Retiniana de Início Precoce e Fundus Albipunctatus. Além da dificuldade da visão noturna, as doenças hereditárias da retina mediadas pelo RPE65 são caracterizadas por perda progressiva do campo visual e acuidade visual. Alguns casos tem início mais precoce, evolução mais rápida e nistagmo, além de cegueira noturna e diminuição da visão. Com o passar do tempo, os pacientes com as DHR associadas a mutações no RPE65 não tratados evoluem com perda quase total da habilidade de perceberem a luz de qualquer intensidade. A capacidade de caminhar de maneira independente se torna muito limitada levando a impossibilidade de realizar na vida diária outras atividades dependentes da visão.

Quais são os resultados esperados do tratamento com o voretigeno neparvoveque (insumo farmacêutico ativo de Luxturna®️)?

Os estudos clínicos que avaliaram o Voretigeno Nepavoreque demonstraram significativa melhora da habilidade de caminhar, da sensibilidade à luz e do campo visual 1 ano após o tratamento, em uma população que antes não tinha nenhuma opção de tratamento.

Como é realizado o tratamento?

O medicamento voretigeno neparvoveque (insumo farmacêutico ativo de Luxturna®️) é de uso exclusivo hospitalar e administrado por injeção sub retiniana. É realizada uma única aplicação em cada olho com intervalo de uma semana.

 

*Artigo publicado por Fernanda Porto – Oftalmologista associada à SMO.

Muitas pessoas imaginam que a determinação do “grau” de cada olho seja uma mensuração simples e inequívoca, indicada mecanicamente por algum equipamento. Ou ainda, que a prescrição de lentes corretivas, sejam elas, por meio de óculos ou lentes de contato, ocorreria como consequência óbvia dessa mensuração.

A realidade, no entanto, é bem mais complexa. Fatores próprios de cada paciente, como idade, estado geral de saúde, eventual ocorrência de alguma doença ocular (3.892 são conhecidas!!!), ocupação profissional e, mesmo, a estatura devem ser levados em consideração para a prescrição. Imaginemos alguns exemplos simples:

  • Duas pessoas saudáveis, com 1,50 de hipermetropia em ambos os olhos, uma aos 17 anos, cursando o ensino médio, outra aos 41 anos, Dentista. A primeira pode não apresentar queixas visuais, enquanto a segunda, dificilmente conseguiria trabalhar confortavelmente sem o uso de óculos.
  • Ou duas professoras universitárias saudáveis, aos 40 anos, ambas sem “grau” para longe, uma medindo 1,60 m de altura, a outra 1,90 m. É provável que a primeira inicie com uso de correção para perto antes que a segunda.
  • Consideremos como último exemplo, dois pilotos, por volta dos 30 anos, diagnosticados com miopia de 1,00 para ambos os olhos, um clinicamente saudável, o outro com diabetes de controle difícil. Para o paciente diabético, é bem provável que a determinação do grau tenha sido menos “exata” por influência da doença. Disto, decorre que este paciente apresenta maiores chances de ficar insatisfeito com a prescrição.

Inúmeros – e por vezes, complexos – são os cenários a serem considerados, tanto na determinação do grau, quanto na prescrição de lentes corretivas. Não por acaso, em decisão recente do Supremo Tribunal Federal, o exame ocular, bem como a prescrição de lentes corretivas foram reconhecidas como atividades restritas à Medicina, sendo que o Oftalmologista é o especialista melhor capacitado para tanto.

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

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