SMO Talks #5: Emiliana Valadares, Presidente da Sociedade Brasileira de Uveítes

No episódio #5 do Podcast SMO talks, tivemos uma convidada muito especial: Doutora Emiliana Valadares, Presidente da Sociedade Brasileira de Uveítes (SBU). Ela possui um currículo vasto e uma trajetória incrível na oftalmologia.

Hoje, nosso objetivo é conhecer a vida pessoal da doutora, suas viagens, suas comidas preferidas e seus hobbies além do trabalho. A conversa traz vários ensinamentos e dicas de como conciliar uma carreira médica bem sucedida com uma vida pessoal equilibrada! Confira!

Lubrificantes oculares, ou “Lágrimas Artificiais” como são mais conhecidos, são medicamentos amplamente utilizados em Oftalmologia: do tratamento da Síndrome do Olho Seco, ao Pós-operatório de Cirurgia Refrativa. No entanto, esse uso nem sempre ocorre da maneira correta.

O uso incorreto, começa muitas vezes por alguma “confusão” com outras categorias de medicamentos, tais como:

  • Vasoconstrictores: esses colírios têm por finalidade amenizar a “vermelhidão” presente em irritações da superfície ocular. Os efeitos, quando presentes, costumam ter curta duração e demandar múltiplas aplicações.
  • Corticóides: o uso inadvertido desses colírios pode ser ainda mais perigoso, pois eventualmente resultam em catarata, glaucoma ou, mesmo, agravamento de algumas infecções, particularmente, a Ceratite Epitelial Herpética.

Mesmo quando o medicamento for, de fato, um lubrificante, uma série de fatores deve ser levada em consideração por ocasião da escolha:

  • Composição: Determina a apresentação (sob a forma de gel, ou colírio); a quantidade de aplicações diárias; a possibilidade de ser utilizado sobre lentes de contato; o risco potencial de reações alérgicas, bem como o tempo de descarte após a abertura do frasco (sim, a data de validade expressa na embalagem faz referência ao produto lacrado, sendo poucos os que podem ser utilizados mais de 2 meses após o início do uso).
  • Preço: Há lubrificantes que custam por volta de R$ 15,00, enquanto outros superam os R$ 100,00.

Apesar de não demandarem prescrição médica para serem adquiridos, o Oftalmologista pode orientar a seleção do lubrificante mais apropriado às necessidades de cada paciente.

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), com o apoio da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), realiza no dia 10 de junho, às 19h30, mais uma edição do SMO Talks.

O tema desta edição será “Os desafios da Educação Médica” e terá a participação de:

  • Milton de Arruda Martins – Clínica Médica USP
  • Cristina Alvim – Pediatria UFMG
  • Jose Maria Peixoto – Cardiologia Unifenas-BH
  • Gustavo Raimondi – Saúde Coletiva UFU/Abem MG

O mediador do debate será o Diretor da SMO, Luiz Carlos Molinari (Medicina UFMG).

O evento será transmitido ao vivo, através da plataforma ZOOM.  Para participar, acesse o link. NÃO PERCA!

A Sociedade Mineira de Oftalmologia presta justa e comovida homenagem a um dos seus mais ilustres sócio e fundador, o Professor Christiano Barsante, falecido no dia 22 de março.

O Professor Christiano nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 1941 e graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberaba, em 1966.

A trajetória de vida do Professor Christiano Barsante foi uma coleção de sucessos, tanto no exercício profissional como no do magistério. Especializou-se em Oftalmologia pelo Curso Credenciado de Especialização em Oftalmologia da FMUFMG (Serviço do Professor Hilton Rocha, no Hospital São Geraldo), em 1970. Prestou concurso público em 1972 para Professor-Assistente da Cadeira de Oftalmologia da FMUFMG, exercendo o magistério durante esses últimos 50 anos.

Foi por duas vezes presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (gestão 1989/1990 e 2000/2001) e fundou em 07/09/77, junto com os professores Joviano Rezende Filho (Rio), Luiz Assumpção Osório (Porto Alegre), Francisco Mais (Campinas) e Sérgio Cunha (São Paulo), a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), atualmente uma das maiores sociedades temáticas filiada ao Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Fundou, associado ao Professor Hilton Rocha, Emyr Soares e Paulo Galvão, o Instituto Hilton Rocha (1979) e a Fundação Hilton Rocha (1983), dois marcos de excelência da prática, ensino e pesquisa da especialidade no país. Presidiu o Conselho Regional de Medicina da Minas Gerais por dois mandatos: 1989/1990 e 2000/2001.

Presença constante nos encontros da especialidade (Congressos, Simpósios, Mesas Redondas), escreveu de parceria com outros Colegas, os Temas Oficiais do Congresso Brasileiro de Of6talmologia de 1972 (Campinas) e o do Congresso do Rio de Janeiro (1983).

Teríamos ainda muito a registrar da vida profissional e acadêmica do Professor Christiano Barsante. Mas, por exiguidade de espaço, não podemos fazê-lo. Todavia, jamais poderíamos omitir a grande, inestimável e decisiva importância do Professor no desenvolvimento e prestígio da Vitreorretinolologia alcançados no Brasil, graças ao seu proficiente trabalho, à sua dedicação e seu invulgar talento. Ele deixa uma plêiade de alunos e vitreorretinologistas talentosos como ele, os quais, certamente, saberão eternizar na memória e no coração a lembrança do Mestre e amigo como bem poucos.

O Professor Christiano, além de tantas e tão meritórias qualidades humanas e profissionais, sempre foi um agregador e nunca se furtou e fazia questão de apontar e destacar a decisiva participação e contribuição dos vitreorretinologistas mineiros no crescimento, refinamento e prestígio da especialidade.

A SMO presta ao Professor Christiano Barsante essa justa homenagem em reconhecimento a sua grande e notável contribuição ao respeito que merecidamente desfruta a Oftalmologia mineira.

Elisabeto Ribeiro Gonçalves – Primeiro Presidente da SMO e Ex-Presidente do CBO

Os desafios impostos pela pandemia da Covid-19 à educação médica exigem novas estratégias pedagógicas para a formação de profissionais éticos, humanistas, críticos e reflexivos. Estas estratégias estão centradas no ensino remoto, utilizando plataformas digitais de educação a distância. Houve adaptações ao modelo EAD, conhecido como Ensino Remoto Emergencial (ERE). Neste, utiliza-se recursos online de modo não planejado, desconsiderando aspectos importantes da realidade de estudantes e professores, bem como aspectos pedagógicos e tecnológicos envolvidos. Há necessidade de envolvimento dos professores com o processo pedagógico, planejamento das atividades e a identificação de meios apropriados. Não há consenso sobre a inserção dos estudantes nas atividades práticas. Evidenciou-se a existência da educação a distância mesmo antes da pandemia e vinculação com a prática da telemedicina, e a necessidade de os currículos incluírem disciplinas de gerenciamento de pandemia com foco na saúde pública.

A educação médica baseia-se, essencialmente, nas habilidades de conhecimento, comportamento e comunicação, a ser desenvolvidos nos estudantes. O conhecimento e a aprendizagem profunda exigem, ativamente, a interação professor-aluno em ambiente propício, difíceis de cultivar sem a interação aluno-paciente em tempo real; o ensino didático em sala de aula, com apresentações e aprendizagem no leito têm sido amplamente substituídos pelas plataformas online, autodirigidas. Mas o contato direto do professor-aluno e o feedback bidirecional em tempo real são difíceis de replicar em fóruns online.

Identificaram-se omissões acerca das limitações e fragilidades dessa nova estratégia pedagógica: a falta de acesso universal e igualitário aos meios digitais, a desconsideração de realidades minoritárias e subdesenvolvidas e a desvalorização das relações interpessoais essenciais à formação médica. Embora este formato de ensino-aprendizagem não seja fácil para alunos com baixa motivação e de baixos estratos socioeconômicos, por falta de equipamentos e conectividade, a adaptação a essas novas mudanças na educação médica é o único caminho a seguir.

Envolver os alunos em telemedicina, desde triagem por telefone até visitas eletrônicas e de acompanhamento e consultas, pode ajudar a preencher a lacuna na educação médica e na interação paciente-aluno. Teleconferências e workshops virtuais não podem substituir o treinamento clínico prático, e essa forma totalmente nova de aprendizado pode servir como uma opção aceitável em tempos de pandemia.

As escolas médicas têm o dever de fornecer educação continuada e possibilitar a formação dos futuros médicos. O ensino virtual é eficaz e as instituições estão trabalhando para desenvolver ainda mais esses recursos, para melhorar o envolvimento e a interatividade dos alunos. No futuro, as faculdades de medicina deverão adotar uma abordagem mais holística para a educação, e considerar o impacto mental da Covid-19 sobre os alunos, bem como melhorar a segurança e a tecnologia das plataformas virtuais.

A pandemia trouxe ansiedade, um aumento dos compromissos de trabalho, com redução significativa no tempo de recuperação e impacto da doença nos colegas médicos e familiares, associados aos estressores econômicos, sociais, isolamento e pressões sociais. Os profissionais de saúde e estagiários foram desafiados cognitiva e emocionalmente pela morbidade e mortalidade ocorrendo em um curto e súbito período de tempo. Devemos estimular empatia e bem-estar emocional para todos, praticadas pelas instituições, programas patrocinadores e professores.

A Organização Mundial da Saúde observou que os profissionais de saúde têm um risco aumentado de problemas de saúde mental, não apenas devido ao sofrimento emocional do isolamento social, mas também devido à exposição à morte e à doença, à escassez de pessoal e de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s), e ao sofrimento moral no cuidado aos pacientes.

Há relatos de burnout, ansiedade, sensação de impotência, medo e tristeza. Investiu-se nas mentorias (e-mentoring), muito valorizadas pelos mentores e mentorandos, com um apelo muito forte na saúde mental. Os encontros têm acontecido entre os mentores, com bagagem teórica sólida, aliada a uma experiência prática extensa e bem sucedida na área que será debatida, e os alunos, mentorandos, que buscam novos conhecimentos e habilidades. Não há aulas expositivas, mas sim discussões horizontais, e os participantes expressam suas opiniões e questionam quais as melhores estratégias para resolução de problemas. As reflexões se impõem, estimuladas por vídeos de curta duração, podcasts,e outros. Este aprendizado ativo, baseado em problemas reais, aproxima teoria e prática. Embora os alunos se sintam substancialmente sobrecarregados e preocupados com o impacto da pandemia em seus estudos, parecem lidar bem com o formato do curso digital.

A motivação para estudar durante a pandemia da Covid-19 diminuiu entre a maioria dos alunos, o que deve ser abordado pelas escolas médicas interessadas em desenvolver intervenções eficazes, para apoiá-los na pandemia e no ensino online contínuo.

O peso total da carga de saúde mental sobre os profissionais de saúde e estagiários ainda não é conhecido, mas provavelmente será significativo.

 

*Artigo publicado por Luiz Carlos Molinari Gomes – Oftalmologista associado à SMO.

As inscrições para a 6ª edição do Curso de Ciências Básicas em Oftalmologia (EAD) já estão abertas. As aulas estarão disponíveis a partir do dia 15 de março na plataforma de Ensino à Distância da AMMG.

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Assunto: Curso de Ciências Básicas em Oftalmologia – Comprovante Acadêmicos de Medicina

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Sociedade Mineira de Oftalmologia (SMO), com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), convida a todos os profissionais médicos a acompanharem a 4ª edição do SMO Talks, evento gratuito e online, que acontece no próximo dia 25, segunda-feira, às 19 horas.

O tema do evento será “Eu, meu colega e a sociedade – Repartindo pensamento e experiência com o jovem” e terá a participação dos oftalmologistas: Elisabeto Ribeiro Gonçalves (mediador), Cristiano Caixeta, José Beniz Neto (presidente do CBO), João Neves de Medeiros, Breno de Mello, Wesley Moreira e Luiz Carlos Molinari.

Uma visão conjunta da SMO e do CBO com o objetivo de compartilhar ideias com o jovem médico, promovendo empatia, ciência e levando um pouco das instituições à prática oftalmológica, com ética, parceria e ideais comuns de solidariedade, e ampla troca de conhecimentos.

O evento será realizado através da plataforma ZOOM. Para participar, basta acessar o link.

As lentes de contato gelatinosas filtrantes são lentes com colorações específicas utilizadas para melhorar o desconforto ocular ocasionado por uma fotofobia e/ou glare incapacitantes, bem como para melhorar a discriminação de cores por pacientes com discromatopsias eixo vermelho-verde¹.

Diferente das lentes coloridas cosméticas, o padrão de distribuição da pigmentação deve abranger a área pupilar e a estética não é o objetivo primário. As lentes gelatinosas coloridas cosméticas além de não resolverem a questão da fotofobia incapacitante, podem diminuir a performance visual pelo aumento das aberrações de alta ordem².

Fotofobia por definição seria a sensação de desconforto ocular ocasionado pela luminosidade³. Pode ser proveniente de alterações em várias estruturas oculares como por exemplo:

  • Corneanas: cicatrizes, ceratocone, olho seco, astigmatismo;
  • Cristalinianas: catarata subcapsular posterior;
  • Irianas: aniridia, colobomas;
  • Trato uveal: uveíte;
  • Retinianas: distrofia de cones, acromatopsia, stargardt, etc;
  • Causas extraoculares⁴: cefaléias, sequelas de TCE, blefarospasmo.

As causas retinianas são as mais propensas em causar uma fotofobia incapacitante até mesmo em ambientes internos. O desconforto chega ao ponto de comprometer atividades básicas da vida diária, socialização e até vida laboral. Nestes casos, a indicação e adaptação de lentes de contato gelatinosas filtrantes representa a possibilidade de resgate de uma melhor qualidade de vida.

São indicações para a adaptação de lentes de contato filtrantes gelatinosas:

  • Discromatopsias eixo vermelho-verde⁵
  • Distrofias de cones6
  • Acromatopsia7
  • Albinismo
  • Stargardt

Como em todas as adaptações de lente de contato, o paciente deve realizar um exame oftalmológico completo e posterior selecionar e realizar o teste da lente de contato.

Para fins didáticos dividiremos as adaptações em 2 grupos:

a) Pacientes com fotofobia incapacitante

  • Adaptação feita em ambos os olhos
  • Colorações possíveis: marrom e vermelha

b) Pacientes com discromatopsias eixo vermelho-verde

  • Geralmente adaptação monocular no olho não dominante, porém pode ser binocular. Realizar teste de cores sem lente e com lente de contato para comparação.
  • Coloração: vermelho

O vermelho melhora a fotofobia por apresentar ondas com maior comprimento e menor frequência. Isto contribui para menor desestabilização do pigmento presente nos bastonetes quando expostos a luminosidade.

A indicação das lentes de contato gelatinosas filtrantes deve ser individualizada. Esclarecimentos diminuem expectativas fantasiosas e aumentam o sucesso na adaptação.

Na adaptação, realiza-se um teste com a coloração escolhida em ambientes internos e externos. Deve-se mostrar as alterações estéticas decorrentes desta utilização. Sempre mensurar a acuidade visual com e sem lente, já que podem ocorrer reduções da acuidade visual e contraste.

Como todas as lentes de contato, a adaptação é um ato médico. Necessita ser precedida de um exame oftalmológico completo e ser acompanhada com controles periódicos.

 

*Artigo publicado por Mylene Matsuhara – Oftalmologista associada à SMO.

 

BIBLIOGRAFIA

  1. Matsuhara ML. Adaptação de Lentes de Contato em Visão Subnormal. In: Godinho C, Dantas B, Sobrinho M, Polisuk P.O Padrão CG em Lentes de Contato.2 ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica/Guanabara Koogan;2010
  2. Hiraoka T, Ishii Y, Okamoto F, Oshika T. Influence of cosmetically tinted soft contact lenses on higher-order wavefront aberrations and visual performance. In: Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol 2009 Feb:247(2)225-33
  3. Sei M. Estudo da Sensibilidade ao Contraste, do Glare e do Campo Visual na Baixa Visão. In: Sampaio MW, Haddad MAO, Costa Filho HA, Siaulys MOC. Baixa Visão e Cegueira- Os Caminhos para a Reabilitação, a Educação e a Inclusão.1ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica/Guanabara Koogan;2009
  4. Katz BJ, Diare KB. Diagnosis, pathophysiology, and treatment of photophobia. In: Surv Ophthalmol.2016 Jul-Aug;61(4):466-77
  5. Mutilab HA, Sharanjeet-Kaur, Keu LK,Choo PF. Special tinted contact lens on colour-defects. In: Clin Ter.2012:163(3):199-204
  6. Park WL, Sunness JS. Red contact lenses for alleviation of photophobia in patients with cone, disorders. In: Am J Ophthalmol 2004 Apr;137(4);774-5
  7. Schornack MM, Brown WL, Siemsen DW. The use of tinted contact lenses in the management of achromatopsia. In: Optometry.2007 Jan;78(1); 17-22

No dia 16 de setembro, fora publicado numa importante revista médica (JAMA Ophthalmology) um artigo científico que mostrou que de 276 pacientes internados num hospital da província chinesa de Hubei para tratamento de COVID-19, apenas 16 deles (5,8%) usavam óculos por 8 horas, ou mais, por dia, em decorrência de miopia. Nesta região da China, cerca de 30% da população é míope, assim seria intuitivo esperar que cerca de 30% dos pacientes internados fossem míopes.

Ao menos teoricamente, o uso de óculos poderia resultar numa barreira adicional à entrada do novo Coronavírus no organismo. Isto porque a conjuntiva é uma superfície mucosa, a qual é menos eficiente que a pele, por exemplo, na contenção à entrada de micro-organismos, entre os quais, os vírus. Além disto, parte da lágrima é drenada da superfície dos olhos para interior do nariz, o qual também é uma superfície mucosa, podendo atuar como mais uma via de entrada para o novo Coronavírus.

No entanto, inúmeros são os exemplos em Medicina para os quais uma possibilidade não se confirma na prática. O que se sabe até agora é que higienizar as mãos (ao lavá-las bem ou a partir do uso de álcool gel a 70%), fazer uso adequado de máscaras e evitar aglomerações são as medidas mais importantes a serem tomadas em termos coletivos. Especificamente aos profissionais de saúde, no manuseio de pacientes com COVID-19, como parte dos equipamentos de proteção individual, o uso de óculos de proteção é recomendado.

A dúvida que naturalmente surge a partir da observação mostrada neste estudo é se o uso de algum tipo de óculos deveria ser recomendado a todas as pessoas. Uma resposta criteriosa deve levar os seguintes pontos em consideração:

  • Correlação não implica em causa, ou seja, não significa que usar óculos seja necessariamente a causa da menor taxa de infecção entre míopes;
  • O desenho do estudo não é o mais apropriado para generalização das conclusões, fator reconhecido pelos próprios autores.

Em meio a uma pandemia cujos efeitos, em maior ou menor grau, são sentidos por todos, informação científica que auxilie no combate ao Coronavírus são muito bem-vindas. No entanto, a interpretação de tais informações também deve seguir o mesmo rigor científico. Do contrário, corremos o risco de abrirmos mão da Medicina baseada em evidências, em favor da Medicina de outros tempos…

 

*Artigo publicado por Giuliano Freitas – Oftalmologista associado à SMO.

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